Resenha: Johnny Hooker – Coração (2017)
Há cerca de três ou quatro anos surgia um artista que começou a se fazer notar não apenas por sua música, mas também por suas atuações em filmes e até em novela.
Johnny Hooker era o nome do artista que foi super badalado e incensado pela crítica e público. Em 2015 lançou: “Eu Vou Lançar uma Macumba pra te Amarrar, Maldito”, e conquistou mais e mais fãs e sites especializados.
2017 viu e ouviu o retorno do cantor à ribalta com um novo álbum.
“Coração” é um disco bastante heterogêneo musicalmente. Sem identidade, com canções que remetem praticamente sempre ao mesmo tema, o amor, a inveja ou o amor não correspondido.
Ok, falar de amor é bacana, mas chega uma hora que cansa. Escutar 11 canções, e delas quase todas (ao menos nove) serem sobre o amor, é meio chato. Se era pra fazer um trabalho heterogêneo no sentido de que cada canção abordasse um ritmo diferente, que, pelo menos, algumas fugissem do mesmo tema.
As duas primeiras canções do álbum não comprometem. “Intro” é aquela canção bacana, no estilo do Lira ou do Otto, uma declamação de um poema com um som interessante, ondas do mar ao fundo com um tema musical bem de leve, quase imperceptível.
Daí vem “Touro”, outra experimentação no álbum. O problema parece ser a verve de Hooker em querer ser como se diz em Recife “A bala que matou Kennedy”!
Nos versos: “Olha eu aqui de novo/viver, morrer, renascer, firme e forte como um touro..” parece ser uma autoafirmação do cantor. Ressoa como “seu recalque bate no meu ombro e volta”. E não é implicância. Esse tipo de autoafirmação aparece repetidas vezes em outras canções.
Daí vem o samba “Eu Não Sou Seu Lixo”. Bons instrumentos de sopro e ritmo corretíssimos. O problema é o cantor querer soar vocalmente como a cantora Alcione.
O timbre da voz de Hooker em algumas passagens soa como um cover de luxo da Marrom.
Só existe uma Alcione, ok?
Chegamos em “Corpo Fechado”, e novamente lá vem autoafirmação. Não bastassem as frases clichês, temos a participação de Gaby Amarantos que canta “você não vale um real”, já não ouvimos isso antes?
Pulando para a sexta faixa, “Flutua” é que a coisa fica séria!
Boa letra, embora mais um caminhão de clichês façam parte da canção, do tipo “antes da noite acabar dance comigo baby, a nossa canção”, a melodia da canção é outro clichê musical.
Duvido que alguém não se pergunte seriamente: _ Já não ouvimos isso antes? Não parece ser uma canção da Joss Stone, desacelerada?
Daí vem uma canção ode a Caetano Veloso, ok. Mas o problema é que não há nada de novo nisso principalmente quando parece ser uma canção saída do filme “Ó Pai Ó” (o filme é bem bacana as canções idem, mas não agrega) e ao mesmo tempo soa como uma outra canção dos paulistanos da Holger. Que no quesito fazer indie rock com pegadas festeira, são imbatíveis!
“Crise de Carência” parece ser outra canção conhecida, ao menos na melodia, mas mesmo com (de novo) mais clichês “sem você eu não estaria aqui” é apenas um deles, é uma canção boa.
A crise de criatividade parece ter atingindo a produção do trabalho de Hooker pelo visto…
Para fechar com “chave de ouro” vem “Escandalizar” um frevo que empolga, sim! Mas novamente soa como…outra banda ou outro artista.
O resumo da ópera é que “Coração” é um bom álbum, bem produzido e com instrumentistas muito bons. O problema do segundo trabalho de Hooker é que soa como uma continuação mal feita do seu primeiro trabalho.Encheram de superlativos um álbum que seria muitíssimo bem resolvido sem tantos excessos musicais e com letras melhores.
Letras ruins, clichês em demasia, participações para validar as canções em si e uma regra de ouro na música, o teste de verdade vem sempre no segundo álbum, e nesse teste, Johnny Hooker foi reprovado.
Coração – Johnny Hooker
Gravadora: Natura Musical
A confusão musical e letras ruins se fossem limadas, nos daria um bom trabalho. Mas ambas continuam lá. Uma pena. Após uma excelente estreia, Hooker tropeçou feio.