Resenhas

Resenha: Kurt Cobain – Montage of Heck: The Home Recordings (2015)

A trilha sonora do celebrado documentário “Kurt Cobain: Montage of Heck” de Brett Morgen sobre o finado vocalista do Nirvana é tudo menos uma trilha sonora tradicional. Também não é um álbum comum ou uma compilação de demos como vemos sendo acrescentadas em relançamentos e edições deluxe de álbuns já consagrados. Não há nada remotamente finalizado aqui.

As poucas faixas que são músicas completas, ou mais ou menos completas, são versões completamente melancólicas e depressivas de canções já conhecidas, como “Sappy” e “Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle”. Faço aqui uma menção especial à “And I Love Her” dos Beatles, que parece mais sincera e genuinamente triste na voz de Cobain.

Na maior parte do tempo tudo é muito confuso, ininteligível e cru, muito cru. A faxia “Scream”, na verdade, é um grito de 32 segundos que, por algum motivo, foi incluído no álbum. Há vários momentos que é só barulho de fundo ou Cobain falando bobagens ou imitando um disc-jóquei de rádio do interior falando sobre sea monkeys, mais conhecidos aqui no Brasil como kikos marinhos, e a Paula Abdul. Muitos são acordes soltos, experimentos, riffs que no futuro talvez virariam alguma coisa.

Se você ainda não assistiu ao documentário, assista. Ele é fantástico. Assista-o e depois ouça o álbum. Dentro de um contexto maior ele faz algum sentido. Como um disco, ele nada mais é que um grande esboço.

5.0

Montage of Heck: The Home Recordings – Kurt Cobain

Gravadora: Universal Music

O disco faz sentido como parte de uma obra documental maior. Como um álbum, não.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

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