Resenha: Lupe de Lupe – Amor (2025)

Resenha: Lupe de Lupe – Amor (2025)

(Reprodução)

Oito discos depois, o Lupe de Lupe ainda encontra novas formas de inovar. Amor, lançado em julho de 2025, é um mergulho de 42 minutos em quatro faixas longas, confessionais e barulhentas. Cada integrante assume uma música, o que transforma o álbum numa espécie de carta coletiva sobre o que restou depois que o amor acabou.

Se o título soa genérico, o conteúdo faz o oposto: há um canibalismo metafórico, jatobás como memória, gatos, cachorros e violinos. A banda mineira aposta em guitarras ruidosas, arranjos densos e letras que rasgam mais do que curam. Como sempre. As música são: Vermelho (Seus Olhos Brilhando Violentamente Sob os Meus), escrita por Jonathan Tadeu; Se Nosso Nome Fosse Um Verbo (Canibalismo Como Forma de Amor), escruta por Vitor Brauer; Uma Bruta Realidade (O Nosso Jatobá), escrita por Gustavo Scholz e Redenção (Três Gatos e um Cachorro); escrita por Renan Benini.

Produzido em casa, com alma crua e barulhenta, Amor não é feito para distração, é para quem topa sentir. Um disco corajoso, que estica o tempo e desafia o ouvinte a permanecer mesmo quando tudo parece ter ido embora.

7.0

Amor – Lupe de Lupe

Gravadora: Balaclava

Apesar de monotemático, Amor se destaca por sua fragmentação autoral, entregando um disco longo, intenso e emocionalmente vasto, onde cada integrante expõe sem filtros sua própria visão do afeto.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.