Resenha: Marina Sena – Coisas Naturais (2025)
Laudeada como uma das grandes vozes desta geração, Marina Sena retorna com seu terceiro álbum, Coisas Naturais. Para a surpresa de absolutamente ninguém, de natural este álbum não tem nada. Tudo soa mecânico, rígido e artificial. Os timbres são plásticos, as batidas previsíveis, e até a voz da cantora parece mais amarrada que o de costume. Sabe-se que ela não é uma grande cantora, porém aqui seus miados parecem mais anasalados que o de costume e sua voz fica sufocada entre tantos sintetizadores.
Assim como sua capa, Coisas Naturais é um amontoado de ideias soltas. É difícil enxergar este álbum como uma obra coesa, parecendo mais um grande pout-pourri de gêneros, misturando latinidades, como o Raggeaton, batidas de TR-808 no melhor estilo tecnobrega. O resultado é uma colagem desorganizada de referências, sem personalidade própria, e Marina Sena parece perdida entre tantas referências, gêneros e letras medíocres, certamente as piores da carreira da mineira.
Na faixa-título, que abre o álbum, Marina repete “Tô doida pra te dar… …um beijo”, com uma pausa longa e desnecessária. Um exemplo de humor tão quintaserístico que seria digno da Comunidade Ninjitsu. Há outros momentos igualmente trágicos, como toda a letra de “Carnaval”, em especial “Sou eu que mando na porra da vibe…” e “É que eu não aguento sua cara de cu”. São tantas rimas tão pobres que eu fico impressionado como uma faixa pouco mais de um minuto de duração tivesse um impacto tão negativo no álbum.
O problema maior não está na mistura em si, mas na falta de qualquer coisa que o tirne minimamente interessante. Marina sempre transitou entre gêneros, mas antes havia aquele charme da novidade que fazia sua música soar autêntica. Aqui, a sensação é de um álbum que tenta abraçar o mundo sem se comprometer com nada. As faixas seguem uma atrás da outra sem deixar qualquer impacto. Enquanto isso, a produção, assinada pela prórpia Marina e seus ex-colegas de banda, achata todas as músicas, deixando tudo genérico e impessoal.
O disco é todo ruim? Não. “Anjo” e “Mágico” são extremamante dançantes, e entre todos os exageros estilísticos, “Doçura” tem aquele cheirinho de mercado latinoamericano. “Ouro de Tolo” é uma neobossa gostosa de ouvir, e uma performance razoável da cantora… Até o final da canção, e do álbum em que ela declama uma poesia vingativa e raivosa que parece completamente disconexa da faixa em si, e do próprio álbum. O momento tem um ar de improvisado, até com um barulho como se alguma coisa foi derrubada. É claro, o fato de parecer improvisado faz este momento parecer rigorosamente ensaiado.
Para um terceiro álbum, Coisas Naturais soa muito mais como aquele segundo esforço em que o artista está tentanto se descobrir. Sinto que não é um álbum de fato, e sim uma coletânea de canções mais ou menos dançantes. É o retrato de uma artista sem direção, que produziu um álbum com seus amigos sem supervisão.
Coisas Naturais – Marina Sena
Gravadora: Sony Music
"É que eu não aguento sua cara de cu" deveria figurar entre os piores versos já escritos na história da música brasileira.