Resenhas

Resenha: Mayaen – Mudlord (2018)

Tem dias em que tudo que queremos é ouvir Rock. Não negamos nossas origens e há neste mundo poucos prazeres como levar aquele bela tijolada no lado do crânio na forma de riffs pesados, solos de derreter as orelhas e batidas que mais parecem um estouro de uma manada de elefantes. Bater a cabeça é legal pra caralho e “Mudlord”, o EP de estreia da Mayaen nos leva a fazer exatamente isso.

Para minha tristeza é um EP e são apenas seis faixas, mas é material o suficiente para a dupla carioca nos deixar tontos de tanta porrada. Logo na entrada, a faixa-título “Mudlord” já abre o EP com uma bela pedrada, seguida de “Red Handed”, minha faixa favorita do álbum, recheada de viradas à Black Sabbath e um belo refrão, daqueles que você espera em um show pra cantar junto. A sombria “Calavera” vem na sequência, reduzindo um pouco a marcha, mas reestabelecendo o ritmo no final, com um riff à Fu Manchu, e terminando com um silêncio ensurdecedor. Sem dar tempo para respirar, “Hit the Ground” e “Day of the Dead” seguem o mesmo estilo e preparam o terreno para o fim do EP.

O melhor parece ter ficado para o final. “Lady Deth”, a faixa que encerra o EP vira um pouco diferente do resto, menos stoner e mais clássica, menos Fu Manchu e mais Jerry Cantrell. Talvez tenha sido proposital colocar uma faixa tão diferente por último. O riff começa com bastante reverb e chorus e sem distorção, abrindo o caminho para um refrão memorável.

A Mayaen definiu-se como uma válvula de escape dos amigos Fábio Mazzeu e André Leal, mais conhecidos pelo trabalho em outras bandas, mas não deixa a desejar de forma alguma aos trabalhos ditos principais de cada um. Eu, pessoalmente, estou ansioso para ouvir mais deles. “Mudlord” é um EP que pode abrir o caminho para um play completo.

7.8

Mudlord – Mayaen

Gravadora: Abraxas Records

Uma baita tijolada do lado da orelha!

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

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