Lá pelos anos 90 ou, melhor dizendo, até lá por 2005, eu ainda acreditava que um disco precisava dizer alguma coisa. E não era só no texto da contracapa. Aprendi a ler entrelinhas no som, na proposta ou na urgência de existir. Em Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?, novo álbum de Rubel, falta justamente isso: urgência.
O disco até começa com boas intenções. Tem produção caprichada, participações de peso, e uma tentativa clara de expandir o universo sonoro que consagrou o cantor. Mas o resultado final parece preso numa zona de conforto sofisticada demais pra ir além. Pra ousar. Pra te fazer pensar de alguma maneira triste ou duvidosa. Bonito? Sim. Tocante? Nem tanto.
Sim! Rubel sempre teve um pé na MPB e outro no indie-folk americano. Mas aqui foi totalmente na primeira direção. E eu não achei tão fascinante como tão pintando por aí. A sutileza dos arranjos acaba soando meio genéricos, soando raso. Parece que tudo está ali pra parecer profundo, mas sem realmente se comprometer com nada.
Falta vivência. Falta um Rubel mais imperfeito e menos calculado. Sabe aquele punch do álbum As Palavras, Vol.1&2?, pois é. Depois de ouvir Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso? tive exatamente esse sentimento: o silêncio e uma pergunta: beleza, mas agora a gente faz o que com isso?
Agora, não duvido você ouvir Azul, Bebê ou Carta de Maria naquela loja genérica do shopping ou em algum remake de Novela do Manoel Carlos. (Ou também numa propaganda de streaming de alguma fintech).
Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso? (2025) – Rubel
Gravadora: Dorileo
A maior ousadia deste álbum é, sem dúvidas, ter um ponto (.) no meio do título dele.
