Resenhas

Resenha: Suede – Bloodsports (2013)

“Bloodsport” é o primeiro álbum propriamente dito do Suede em dez anos. O primeiro desde que a banda voltou, desde seu aparente fim no início dos anos 2000. O frontman Brett Anderson descreveu este álbum como uma mistura sonora de dois de seus mais aclamados trabalhos, “Dog Man Star” e “Coming Up”.

Logo de cara, “Barriers”, abre o álbum de uma maneira incrível incrível. A música vem crescendo e ganhando camadas a cada compasso e foi me conquistando. Eu já estava imerso antes da voz entrar. Quando ela entrou, eu já estava rendido. Anderson é desses vocalistas que é mais crooner que cantor, mas ele não deixa a desejar. É uma abertura de álbum como poucas e um primeiro single sensacional. “Snowblind” e “It Starts and Ends With You” seguem a mesma pegada.

Há uma estrutura bem clara de Lado A e Lado B aqui. A sombria “Sabotage” quebra um pouco a primeira metade, mas somente depois da animada “Hit Me” que temos uma variação verdadeira. “Sometimes I Fell I’ll Float Away” e “What Are You Not Telling Me” são canções incríveis, de uma delicadeza ímpar. Esta última, por sua vez, merece seu lugar no cânone de melhores músicas sobre fins de relacionamentos. Finalmente, “Faultilines” fecha o álbum deixando tudo no ar. Fiquei ansioso por mais.

“Bloodsport” não é um álbum revolucionário no sentido de que vem para mudar o gênero e também não é um álbum nostálgico que olha para o passado com olhos marejados. É um exercício de história alternativa. É o que teria acontecido se a banda nunca tivesse acabado e continuasse trilhando o caminho que estava disposto na frente deles.

O Suede nunca foi minha banda favorita dentro do Britpop. Na verdade, era a banda que eu menos gostava dentro do Britpop. Entre os titânicos Oasis e Blur, o Pulp e mesmo os subestimados Charlatans, sempre achei o Suede a mais sem graça dessa leva de bandas. Nunca dei muita bola pra eles. Depois de ouvir “Bloodsport”, percebi que talvez isso tenha sido um erro.

8.6

Bloodsports – Suede

Gravadora: Warner Bros.

Dez anos depois de seu aparente término, a banda entrega um trabalho tão ou mais digno que o restante de sua discografia.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

Outras matérias deste autor