Resenha: Tem mas acabou – Quintal (2024)

Resenha: Tem mas acabou – Quintal (2024)

(Reprodução)

Não faço ideia como a tem mais acabou chegou aos meus ouvidos. É aquele tipo de mistério gostoso. Você não sabe como aconteceu, mas é legal. Tipo promoção de bebidas no mercado, você não precisa, mas vai lá e compra.

O tem mais acabou é uma banda que conquista de primeira ouvida. Mas não é apenas uma ouvida, são várias. Várias audições para compreender a grande colcha de influências e retalhos de uma tapeçaria absurda de gostosa.

Está aí um conceito que acabei de criar: tem mais acabou é uma banda gostosa de ouvir!

Daqueles álbuns que trazem o sol para dentro de um apartamento escuro ou um cheiro de orvalho pela manhã.

Mas, a banda é muito mais que conceitos visuais, é um organismo que consegue cooptar o ouvinte. Com faixas estranhas, “Dissecando Pt.1”. Tem uma pegada meio Yo La Tengo (o que é um flerte com experimental para poucos, embora esteja muito em voga, mas acertar, é outra conversa). Parece um ensaio, mas mostra o low profile da banda. Um ar de, é isso aí, foda-se.

“Caxiri”, soa totalmente como um sonho onírico. Campo, verde, mato, sitio, fazenda, seres estranhos e lindos dentro de um cenário de filmes dos anos 90, 00, psicotrópicos, e um ritmo hipnotizante. Psicodelia, experimentalismo e uma faixa com uma pegada pop.

Sim, porque é possível ser louco e pop ao mesmo tempo.

Aí vem mais experimentações e alucinações sonoras. “ Rua das Mercês” e “Mateus Aleluia”.

Vale ressaltar que a banda, não é apenas, um coletivo louco e cheio de delírios sonoros. Mas tem um punch sonoro. Uma urgência em mostrar que além de serem bons músicos, tem feeling que flerta com Clube da Esquina, scats vocais necessários, psicodelia já citada e o mais importante de tudo, é uma banda que nasce inteiramente pronta!

Tem samba, tem Novos Baianos, tem ginga carioca, tem remelexo, tem letras nonsense, tem letras infantis, tem a porra toda!

Altamente indicada para quem quer sair da mesmice!

Escutem: “ Fala Cobrinha”, “Minhoca”, “Coisas Verdes e Frescas”.

8.4

Quintal – tem mas acabou

Gravadora: Independente

De Clube da Esquina, a psicodelia, de letras infantis à nonsense. Scats vocais, malemolência, banda gostosa de ouvir. Tem, mas acabou..

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.