Resenha: Tess Parks – Pomegranate (2024)
Em seu terceiro álbum solo, Pomegranate, Tess Parks explora uma sonoridade que, ao mesmo tempo em que é áspera e carregada de ecos psicodélicos, carrega em si uma delicadeza quase esperançosa.
Embora a voz da cantora e compositora canadense já tenha sido descrita como um “gargarejo de água de bong”, o que se percebe ao longo do disco é uma combinação de vigor e eterealidade: há rugosidades e fumaça, mas também uma beleza pulsante, envolvida numa atmosfera de sonho.
E faixas, como “California’s Dreaming” e “Koalas”, apontam para o quanto o dia a dia pode ser celebrado, em contraposição aos ideais grandiosos e inatingíveis que muitas vezes somos levados a perseguir.
Em vez de deixar-se seduzir pelo “sonho” vendido como realidade, Parks convida a olhar para o que temos agora, para o milagre do que somos e fazemos. As melodias soam como hinos discretos de um futuro possível, no qual retomar nossas vidas e dizer “não” com liberdade é uma postura de resistência. E de alegria.
No fim das contas, pelo menos pra mim, Pomegranate é o lembrete de que, por trás das fachadas, existe o cotidiano. O feijão com arroz que dá certo. E este álbum me despertou este sentimento.
Ouça “Pomegranate”:
Publicado originalmente no Whiplash.net