Resenha: Turnover – Peripheral Vision (2015)
Demorei algum tempo para entender o quê exatamente eu estava ouvindo quando peguei o segundo álbum da Turnover para ouvir. Vinte segundos se passam até que a primeira nota audível de “Cutting My Fingers Off” soe e quase um minuto até que a música comece de verdade. Eu esperava uma coisa, recebi outra e quando olhei novamente para a capa, entendi que estava no universo certo.
Talvez seja a mudança de estilo. Estamos lidando com uma banda de punk pop que deu uma guinada brusca para o dream pop, mas mantendo suas origens bem claras. Mas se eu não soubesse, eu diria que este sempre foi o estilo da banda. Tudo parece muito bem amarrado e produzido e tudo soa muito natural.
A cozinha é de punk, baixo reto e preciso e bateria fechada e com mais destaque nos tambores que nos pratos. As letras também seguem a mesma linha do primeiro álbum, “Magnolia”. O que mudou descaradamente foi a entrega dessas letras. Ao invés da típica voz esganiçada de bandas de roquinho americanas, a voz vêm etérea e distante, menos gritada e mais sussurrada, como é típico no shoegaze. Essa execução mais sutil, porém, não tira nenhum do peso das letras que levam títulos como a já mencionada primeira faixa e “Diazepam”, o popular Valium.
As guitarras também trocaram os pedais de distorção por pedais de chorus e delay. Riffs viraram progressões de acordes. A distorção dá as caras às vezes, mas é pontual e funciona muito bem, como em “Take My Head”.
Dream pop/shoegaze mais acelerado à Swervedriver não é nenhuma novidade e certamente não era o intuito da banda revolucionar nenhum gênero, mas a Turnover conseguiu entregar um álbum sincero, bem executado e com ótimas canções. Às vezes isso vale bem mais que uma revolução.
Peripheral Vision – Turnover
Gravadora: Run For Cover/HBB