Resenha: Unknown Mortal Orchestra – Curse EP (2025)

Resenha: Unknown Mortal Orchestra – Curse EP (2025)

(Reprodução)

Bom, desta vez, pelo menos, tem algo que se assemelha minimamente a uma música.

Escrevo resenhas para este site desde 2016. Já dei notas altas e notas baixas. Gostei de muitos discos e detestei tantos outros. Sempre tento ser justo e imparcial. Às vezes, minhas opiniões pessoais pesam, e não consigo ser o melhor resenhista que eu poderia ser — mas eu tento.

A única vez em que soltei a mão e realmente não encontrei nada de redimível num álbum foi com esta banda. Foi a primeira — e, até hoje, única — vez que dei nota zero. Desta vez, eles quase repetiram o feito.

Sem muita cerimônia, a Unknown Mortal Orchestra lançou Curse, um EP com temática que remete ao horror. São seis faixas, e tudo parece muito mal-acabado. É como se tivessem enfiado os microfones num copo de boteco mal lavado, cheio de cerveja choca. Os timbres ficaram opacos, sem vida. Há uma tentativa de simular sonoridades setentistas — aquela distorção de amplificador Orange que parece um mamute raivoso vindo na sua direção —, mas sem sucesso.

Curse não é de todo ruim; tem seus momentos. O riff à la Black Sabbath de “One Hundred Bats” é interessante, mesmo que a música seja uma merda. No geral, a única coisa que me impede de dar outra nota zero pra esse grupo de neozelandeses é o fato de que aqui, ao menos, temos músicas. Mesmo que elas sejam uma merda completa.

3.7

Curse – Unknown Mortal Orchestra

Gravadora: Jagjaguwar

Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.