Resenhas

Resenha: Unknown Mortal Orchestra – IC-02 Bogotá (2025)

Eu li o nome do álbum e vi os nomes das oito faixas e antes de dar play eu já tinha certeza que iria odiar cada segundo desse negócio. Confesso que não sou muito fã dos neozelandeses do Unknown Mortal Orchestra e este trabalho não melhorou nem um pouco minha percepção sobre o trabalho da banda. Se havia alguma intenção artística aqui, ela se perdeu no caminho e foi substituída por um delírio pretensioso que não leva a lugar nenhum, apenas testa os limites da minha paciência.

Dizem que o “IC” do título significa “improvisação e colaboração”. O nome da capital colombiana, Bogotá, faz menção à cidade onde este álbum instrumental foi gravado. Uma tentativa inútil de atribuir algum significado ao álbum, mesmo que geográfico. Ele é uma continuacão de IC-01 Hanoi, gravado na capital do Vietnã, também um álbum instrumental. “Instrumental” aqui é usado no senso mais amplo possível, já que a única coisa que faz dele ser instrumental, de fato, é a falta de vocais e lírica.

Eu não sei se fico triste ou com raiva do fato de existirem dois álbuns igualmente desnecessários e que há uma possibilidade real de haver um terceiro.

O maior problema é que não há música aqui. A improvisação parece que virou um substituto medíocre para qualquer ruído levemente musical repetido ad nauseam ao longo de cada uma das faixas. E parece não haver colaboração nenhuma, nem os instrumentos colaboram entre si. Tudo nele é pretensioso e vazio, desde a arte de capa com uma estética trash, retratando apenas uma pessoa com uma máscara de tigre comprada na 25 de Março, até o nome das faixas que sugerem uma viagem entre a Terra, o Céu e o Hades, o mundo dos mortos. Mas não há viagem alguma. Ficamos presos num loop eterno de batidas e ruídos sintetizados que nunca levam à lugar algum.

O frontman Ruban Nielson descreveu o álbum como “uma possível música de fundo para umas festas estranhas e rolês de carro noturnos em seu futuro”. Eu já frequentei algumas festas estranhas com gente esquisita, mas nenhuma tão estranha assim e se esse negócio tocar no som do meu carro enquanto eu dirijo à noite, é bem provável que eu enfie ele no meio de um muro de concreto. Eu espero sinceramente nunca mais ouvir um segundo desta pilha fumegante de kiwi podre.

“Ah, mas Alexandre, você é um quarentão xaropeta que não entende…”

Sim. E acho que sou um ser humano mais feliz por isso. Agora me deixe ouvir um Stockhauser em paz. Próximo!

0

IC-02 Bogotá – Unknown Mortal Orchestra

Gravadora: Jagjaguwar

Mesmo que você goste de música concreta ou de instrumental, é melhor nem perder seu tempo com este negócio.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

Outras matérias deste autor