Resenha: Vanessa da Mata – Segue o Som (2014)
“Segue o som”, poderia ser definido como uma colcha de retalhos musicais que deu certo ou ainda a cantora Vanessa da Mata em sétimo álbum se mostra em sua melhor forma.
Mas o sétimo trabalho de Vanessa da Mata é muito mais que isso.
Sete é um número que comumente costuma estar associado ao cabalístico, um número mágico, uma referência em qualquer área, porque então a cantora Vanessa da Mata estaria receosa de lançar um trabalho de inéditas, após o sucesso de suas releituras do maestro Tom Jobim, no seu álbum “Vanessa da Mata canta Tom Jobim”?
Não tinha porque, motivo algum.
Cercada de um time de músicos que com certeza conseguiriam criar um álbum de inéditas por mês durante um ano completo, esse novo trabalho não tinha como dar errado, como não deu e mostra a cantora em sua melhor forma!
Poucos artistas conseguem atingir uma imagem e patamar tão etéreo e seguro em uma grande gravadora, não pela gravadora, mas pela pressão que o mesmo deve sentir em dar o famoso retorno comercial.
Hoje o sucesso não mais se traduz em vendagens acachapantes ou mesmo em popularidade em revistas ou canais de tv, Vanessa da Mata passa incólume por tudo isso e ainda sim, consegue sem sair de sua “zona de conforto” ser ousada e ao mesmo tempo replicar alguns ícones e sonoridades sempre tão em voga.
Como não ouvir “Homem Preto” e não traçar um rápido paralelo com “O Homem da Gravata Florida” de Jorge Ben?
Pegar algumas faixas de “Segue o Som” e descobrir um estilo de música em cada canção que muitas vezes a melodia lhe parece familiar? Reggae em “Toda humanidade veio de uma mulher”, pop feito na medida como em “Segue o Som”, rock eletrônico com classe em “Não Sei Dizer Adeus” e muito mais: vaudeville, uma releitura de John Denver, mais reggaes e um clima de que “Segue o Som” foi feito sem sobressaltos, sem dificuldades para ter sido concebido como o melhor trabalho da cantora. E no que tange a comparações com outros discos dela, é o que nos parece.
Mas a essa resposta, somente o tempo dirá se a cantora também tem razão em também afirmar isso no release do cd.
Justamente por não se prender a estilo algum,que Vanessa consegue se sobressair em um álbum tão dispare e surreal, acerta por ter arriscado na maioria das canções.
Estar ao lado de músicos do quilate de: Fernando Catatau, a lenda Lincoln Olivetti, Kassin, Liminha (outra lenda), Marcelo Jeneci, e tantos outros, definitivamente não é para qualquer artista.
Talvez pelo acaso de seu sétimo trabalho, talvez pelo desprendimento de não seguir cartilhas, mas muito pela certeza de seu talento e seus músicos que, Vanessa tem muito a dizer em seu “Segue Som”.