Resenhas

Resenha: Vintage Trouble – 1 Hopeful Rd. (2015)

Minha primeira impressão ao dar o primeiro play no segundo álbum deste quarteto californiano de blues foi “É o Rich Robinson na guitarra?”. De fato a primeira faixa, “Run Like the River”, com direito até um coral de backing vocals, parece algo que poderia facilmente estar num disco dos Black Crowes, mas o resto do disco é um tanto diferente.

Há um pouco de tudo, mas ainda mantendo a coerência. Há resquícios de uma pegada um southern, mas isso dá espaço muito rapidamente à melancolia e a distorção dá espaço para timbres limpos e cristalinos. “Strike Your Light” é tão Motown quanto Mick Jagger fazendo a dança do galo. No geral, o disco vai mais pra uma pegada mais calma que lembra muito John Mayer e outros neoblueseiros brancos da última década.

A produção de Don Was, que tem no currículo Rolling Stones, Stone Temple Pilots e os já citados Black Crowes e John Mayer, é cirúrgica. Há momentos excelentes ao longo do disco, mas ele tem suas falhas. “My Heart Won’t Fall Again” é certamente o ponto baixo do disco.

É difícil fugir da palavra “retrô”, como eles próprios definem seu som, e no fundo ele não é tão retrô assim. Eles bebem no mesmo poço de nostalgia que muitos outros artistas bebem também. É até um lugar comum muito grande, ainda mais com a banda tendo “vintage” no nome. Porém, ainda é muito bom ouvir alguém no cenário nostálgico atual fazendo algo além da neopsicodelia à Tame Impala ou a chutação de traseiros à Wolfmother.

7.0

1 Hopeful Rd. – Vintage Trouble

Gravadora: Blue Note/Capitol/Universal Music

É muito bom ouvir alguém no cenário nostálgico atual fazendo algo além da neopsicodelia à Tame Impala ou a chutação de traseiros à Wolfmother.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

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