Robert Plant – Saving Grace (2025)

Robert Plant – Saving Grace (2025)

(Reprodução)

Robert Plant aprendeu há décadas atrás, com o fim do Led Zeppellin que seu glorioso passado nunca mais irá retornar. Com o fim de uma das bandas mais famosas dos anos 70 e com shows avassaladores, o ex-deus dourado, largou os excessos e por poucas vezes reviveu o quarteto, mas não com uma certa relutância. 

A adaptação de sua voz com o passar das décadas acompanhou junto a evolução musical de um dos maiores vocalistas e front leaders da historia da música. 

Desprendido do que ficou para trás, Plant nos trouxe muitas releituras em seus trabalhos, despreocupado em lotar estádios, em agradar a critica, ou mesmo ganhar prêmios. 

No seu décimo segundo trabalho solo (embora essa contagem esteja desconsiderando EPs, shows ao vivo gravados e os álbuns lançados ao lado de Jimmy Page e Alisson Kraus), a contagem também erra em considerar Saving Grace um álbum solo, já que além da banda que o acompanha desde 2019 com o mesmo nome do álbum, ele divide a maioria das faixas com a cantora Suzi Dian que faz parte do grupo que o acompanha desde os tempos pré-COVID.  

Com o intuito de resgatar o folk tradicional e blues, Saving Grace é um delicado trabalho gravado em 6 anos, na fronteira galesa, e o tempo diz muito a respeito das dez faixas que acompanham esse trabalho. 

Plant não enxerga problema em sair dos holofotes para Suzi Dian brilhar. Como acontece na faixa “Higher Rock”, uma amalgama de blues eletrificado com cadência folk. 

Ou na canção “I Never Will Marry” onde a sua voz junto com outras quase à capela (apenas emolduradas por um belíssimo recorte musical) traz a sensação de plenitude e paz. 

O mais curioso é que a penúltima canção do trabalho, “Everybody’s Song” foi um dos primeiros singles lançados. E justamente a faixa em questão, lançada pela banda Low, expoente do indie norte americano dos anos 90 é um assombro e suplanta em alguns momentos a original (que já soa grandiosa). 

Soa inteiramente como um desabafo de um artista que foi considerado um dos gigantes do rock mundial, mas quer se afastar das bandas e artistas que não conseguem largar os anos em que foram dominantes e não produzem mais nada de novo, tentando regurgitar um passado glorioso. 

Não há nada de glorioso em se arrastar por inúmeros palcos e ser visto como uma cover de si próprio. 

Plant entendeu isso há bastante tempo. E por isso consegue nos entregar um dos mais belos trabalhos de 2025, respeitando o seu público e a si próprio. 

Saving Grace é um bálsamo musical para um mundo doente onde é proibido envelhecer e o etarismo vem crescendo. 

Sábio Robert Plant. 

9.2

Saving Grace – Robert Plant

Gravadora: Nonesuch Records

Para Plant, o passado ficou para trás e releituras musicais viáveis passam longe do Led Zeppelin…ainda bem!

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.