Suede – Antidepressants (2025)

Suede – Antidepressants (2025)

(Reprodução)

Não adianta pensar o contrário: o Suede sempre foi aquela peça fora do lugar, mas no fundo indispensável na moldura do britpop. Com Antidepressants, quinto álbum desde o retorno em 2013, Brett Anderson e sua trupe parecem brincar com o tempo: soam como um grupo do início dos anos 90, mas continuam falando diretamente ao presente.

E nessa eloquência esfarrapada, surgem influências que vão de Bowie ao Joy Division já na faixa de abertura, “Disintegrate”. Uma linha de baixo marcante, guitarras cortantes e pesadas, além de um vocal que evoca aquela sensação de desespero sedutor que tanto gostamos. Na sequência, a peculiar “Dancing With the Europeans” deixa um pouco de lado o pós-punk para dar espaço a um britpop mais evidente. Mal nos recuperamos e já surge a faixa-título: “Antidepressants” é um som icônico que emula o que há de mais sombrio e triste em Manchester.

Já “Somewhere Between an Atom and a Star” é David Bowie reimaginado em setembro de 2025: curta, altissonante e bela, poderia facilmente ser uma faixa bônus de Blackstar (2016). Logo depois vem o petardo “Broken Music for Broken People”, que contrapõe o clima da anterior com um mergulho direto no rock que moldou gerações mundo afora.

A impressão que tive após a primeira audição é que tudo funciona muito bem nas 11 faixas que somam menos de 40 minutos. Eu curti pra caralho! Não sou um profundo conhecedor, nem fã de carteirinha do quinteto londrino, mas não vou mentir: esse lançamento me fez correr atrás da discografia de forma mais atenta e deferente. No fim das contas, acho que é sobre isso.

9.3

Antidepressants (2025) – Suede

Gravadora: BMG

Se David Bowie tivesse passado mais tempo em Manchester, provavelmente soasse assim.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.