Poucas bandas envelhecem bem. Isso é uma realidade desde que a primeira banda ou grupo musical lançou seu primeiro trabalho oficial. Não é nenhuma verdade absoluta, mas nada mais é que uma constatação.
Se nem nós, seres humanos normais, envelhecemos bem, o que dirá as bandas de rock.
Black Keys ralou bastante até se dar ao luxo de ignorar o mercado e gravar o que realmente faz sentido para a dupla de Akron, Ohio. Dan Auerbach (guitarra e vocal) e Patrick Carney (bateria) já chegaram aos 24 anos de banda (ou duo) como queiram.
Naturalmente, que após mais de dez álbuns e EPs, o próprio processo de lançamento e a escolha dos ritmos a serem incorporados nos álbuns após o estrondoso sucesso de El Camino (2011) procurariam evitar a armadilha de repetir um novo sucesso.
Por quê?
Porque para quem vem do cenário underground, de chegar a ter que tirar dinheiro do bolso para tocar, ou percorrer centenas de quilômetros para se apresentar para 10 pessoas, sabe que é um risco buscar o sucesso, sem obedecer ao próprio ritmo.
Embora, No Rain, No Flowers sofra de uma falta de paudurescencia, como diria um roqueiro brasileiro — faltou descer a lenha na bateria, na guitarra e economizar numa produção tão “redondinha” — o disco se sai melhor que os seus pares atuais, onde o rock soa como um ser anódino, sem identidade e sem riscos.
Arriscar porquê? Se existem as bandas independentes para fazerem o mesmo?
Aqui o jogo é ganho. Não culpo o duo. O risco até ocorre quando eles gravaram o delicioso Delta Cream que era uma reunião de músicos sensacionais dentro de uma garagem para gravarem covers de blues… (ummm, talvez não.)
Ou quando gravaram Turn Blue (2014), um álbum psicodélico, mas enxergando as mudanças sonoras que estariam para acontecer no maisntream sem graça atual.
Gostem ou não, sem molhar o chão, destruir o que estiver pelo caminho com a força da agua, não virão flores na sequência.
No Rain, No Flowers – The Bçlack Keys
Gravadora: Warner Music
O duo envelhece bem, mas sem a pressão do ínicio de carreira, acabam jogando para se manter na coerência de uma carreira segura.
