Cinco faixas instrumentais, pouco mais de quarenta e dois minutos e uma imersão profunda, que vai do metal ao post-rock: Silver Blue, novo trabalho dos paulistanos da Throe, é daqueles discos que não se escuta só com os ouvidos, mas também com a mente.
Como não poderia ser diferente, as guitarras distorcidas e harmônicas, se expandem e se retraem, enquanto bateria e baixo sustentam o clima de peso, suspensão e introspecção. E de fato, a banda lembra muito os primeiros trabalhos do Russian Circles ou God is an Astrounaut, verdadeiras eminências do rock pesado e instrumental.
Não tem como destacar apenas uma música. Por exemplo, “Silver Blue” é uma música de quase 13 minutos, que encapsula e deteriora o clima soturno em vários momentos, cadenciando o ritmo através de texturas ruidosas. Já “Holding Hands” e “Revê” especulam com melodias ora limpas, ora espectrais. Na finaleira “Birds” e “Giz” conotam e entregam peso, metal e bastante contemplação. Eu, particularmente, fiquei com um quê de claustrofóbico quando terminei a primeira audição. E gostei!
Em suma, um baita trabalho, muito bem elaborado e produzido, que entrega o que acredito a banda queria: um trabalho imersivo, pesado, abismal e com qualidade acima da média.
Silver Blue – Throe
Gravadora: Pirates Press Records
Em Silver Blue, a banda Throe criou uma sonoridade emocional e imersiva que funde metal alternativo, post-rock e shoegaze.
