O EP da Tran é um divisor de águas dentro do cenário musical. Ao aliar virtuosismo e técnica com atitude, o quinteto sabe dosar peso e musicalidade. E isso é para poucos. Por que um divisor?
Porque a banda, formada por Adrian Soares (guitarra solo / backing vocal), Giwa Coppola (vocalista / letrista / meia-lua), JP Villas Bôas (guitarra base / backing vocal), Nico Schmitz (bateria / letrista / backing vocal) e Vi Rigotti (baixo / synths / sound design / mix adicional), traz visibilidade LGBTQ+, sem fazer disso o foco principal das faixas. Sem letras panfletárias, sem discursos: apenas a música em estado bruto. E que música!
A musicalidade é de gente grande, de anos de estrada, embora a banda exista como quinteto apenas desde 2024. Ou seja, quando se vê a materialidade do grupo, já se percebe uma qualidade absurda desde o início. Não se vê — e principalmente não se escuta — ninguém sem um norte ali: é uma família inteiramente musical.
Os contratempos, as levadas que vão da música mais calma à mais pesada, passeiam não apenas pelo post-rock, mas também pelo heavy metal e por uma bela sinfonia que o EP constrói ao transformar o caos sonoro em belas melodias.
É complicado ser artista sendo alvo da homofobia latente no país, mas o grupo tem uma unidade que parece superar essa violência.
A sonoridade é tão rica que lembra, em diversos momentos, o recém-desperto Labirinto (SP), uma das bandas mais técnicas que já pude ouvir dentro do país.
Outros estilos musicais estão ali: shoegaze, indie e muito post-rock, mas o que mais chama atenção da Tran é a unidade. E isso ninguém tira deles.
Com “Mancha”, a banda consegue transformar uma explicação sobre moscas (sim, vocês leram certo) em uma música que sonoriza o caos — acreditem, não é fácil!
“Algia” é outra ótima faixa. Quando a banda se dispõe a construir faixas longas, prepare-se: é raro ficar no meio-termo. E as expectativas são as melhores. Andamentos pesados, melodias certeiras, um misto de violência e contemplação.
O grande acerto é, novamente, a complexidade envolta não apenas nas faixas supracitadas, mas em todo o EP.
O EP foi viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc 2024 (Edital Circuito Catarinense de Cultura – FCC) e, do início ao fim, é uma teia de sons pesados, progressivos e paisagens sonoras fora do comum!
Escuro Iridescente – Tran
Gravadora: AlterEgo
Um inicio arrasador! Com meros dois anos de estrada, Tran é uma banda PRONTA!
