Vintage Caravan – Portals (2025)

Vintage Caravan – Portals (2025)

(Reprodução)

O sexto álbum da The Vintage Caravan é ambicioso: 17 faixas, quase uma hora de música, interlúdios para todo lado, gravação em fita analógica e até participação de Mikael Åkerfeldt (Opeth). Os islandeses vendem Portals como o trabalho mais ousado da carreira — até aqui.

E já começo esta resenha pelos problemas: com tantas variações, interlúdios, breakdowns e introduções esticadas, os 59 minutos e 29 segundos parecem muito, muito, muito mais longos que apenas pouco menos de uma hora. Em alguns trechos, a audição chega a beirar o entediante.

Claro, há pontos altos. A produção é impecável, embora a voz de Óskar Logi Ágústsson esteja um pouco na cara demais pro meu gosto. “Crossroads” e “Current” têm riffs e solos interessantes, além de uma energia empolgante. “Riot” é daquelas de bater cabeça sem parar. “Days Go By” soa como rock de arena, pedindo coro de estádio.

Essa talvez seja a maior força do disco: ele tem cheiro de show. Boa parte das músicas parece pensada para o palco, o que dá a ele uma energia contagiante.

O problema principal é a irregularidade — que fica extremamente evidente no final. “Electrified” tem um solo foda, mas se perde em um riff quadrado e repetitivo. “My Aurora” é chata de doer. Não entendo essa mania de enfiar a faixa acústica à Led Zeppelin III em todo disco de rock. Junto com o quinto e último interlúdio, a faixa quebra totalmente o clima de finaleira.

Eles tentam salvar com “This Road”, claramente escrita para encerrar shows: épica, com um breakdown delicioso e até um trash can ending.

Talvez funcione ao vivo. Não sei se funciona no disco.

Um trash can ending, para aqueles que não estão familiarizados com o termo, é aquele final barulhento e bagunçado, típico de ensaio ou show, quando todos os instrumentos entram juntos — muitas vezes fora de sincronia — para acabar em uma pancada caótica. Assim, não precisa ser o The Who pra terminar um show com uma belíssima quebradeira no palco, mas talvez — talvez — você precise ser o The Who pra fechar um álbum assim sem soar forçado.

Saldo final? Portals entrega variedade e coragem. Quem já curte a Vintage Caravan vai encontrar bastante coisa boa; quem não curte, não será convertido. Mas será mesmo que é “o melhor álbum” da banda?

Sinceramente? Ainda prefiro o Gateways.

6.9

Portals – Vintage Caravan

Gravadora: Napalm Records Handels GmbH

Cinquenta e nove minutos e tinta e nove segundos distribuídos entre dezessete faixas, sendo que cinco são interlúdios instrumentais e eu teria cortado todos eles.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.