Resenha: Wet Leg – Moisturizer (2025)

Resenha: Wet Leg – Moisturizer (2025)

(Reprodução)

Eu nunca tinha ouvido falar na Wet Leg antes deste lançamento. Sim, a banda ganhou um Grammy, mas ninguém além de fã de cantora pop deveria se importar com isso.

Inicialmente um duo vindo da lendária Ilha de Wight, no Reino Unido, a banda se consolidou como quinteto e lançou seu segundo álbum: Moisturizer. Dizem que não se deve julgar um livro — ou um disco — pela capa. Mas, a julgar pela esquisitíssima arte deste trabalho, pelo nome estranho da banda e pelo hype monumental que ele gerou nas redes desde o lançamento, há duas semanas, eu já estava com um pé atrás e pronto pra atirar todas as pedras que encontrasse pelo caminho.

Bom, eu estava redondamente enganado, caros leitores. E confesso: é muito bom estar errado — às vezes.

A safra recente de bandas de rock, especialmente do indie britânico, tem sido excelente, e com Moisturizer, a Wet Leg se consolida como uma das mais interessantes. Um dos fenômenos mais recorrentes no rock é o chamado second album slump — aquele segundo disco que, depois de uma estreia promissora, não alcança as expectativas. Não significa que ele seja ruim, mas às vezes a régua está tão alta que é impossível superá-la.

Com a entrada de Henry Holmes (guitarra), Josh Mobaraki (bateria) e Ellis Durand (baixo) — músicos que já acompanhavam a dupla Rhian Teasdale e Hester Chambers ao vivo — a banda ganhou novo fôlego e expandiu a sonoridade que a projetou no álbum de estreia.

O disco começa forte com “CPR” e seu riff de baixo hipnótico e levemente distorcido. “Catch These Fists”, primeiro single, é daquelas faixas que te pegam logo no primeiro acorde: riff agudo, refrão pra gritar junto e uma energia combativa que faz jus ao título. O álbum inteiro vibra nessa frequência: caótico e divertido. Dá pra sentir que todos estavam se divertindo horrores gravando e performando essas músicas. Isso já fica claro nos créditos — com todos os integrantes creditados em todas as faixas — e transparece na maneira orgânica como o disco foi composto.

O mundo precisa de mais bandas como a Wet Leg. Bandas com energia. Daquelas que a gente escuta no fone e já dá vontade de sair correndo atrás de ingresso pra vê-las ao vivo. É claro que Moisturizer ainda carrega a fórmula que fez da Wet Leg um sucesso instantâneo — o vocal blasé da Rhian, letras que parecem conversa de bar, guitarras angulosas com DNA pós-punk — mas aqui tudo soa mais coeso, mais natural. Menos produto viral de TikTok, mais banda de verdade.

Wet Leg? Agora eu conheço. E já tô esperando ver o nome delas no lineup do próximo C6 Fest.

9.2

Moisturizer – Wet Leg

Gravadora: Domino Recording Co.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.