Wolf Alice – The Clearing (2025)

Wolf Alice – The Clearing (2025)

(Reprodução)

Depois de três álbuns pelo selo independente Dirty Hit, a Wolf Alice retornou com The Clearing, seu primeiro lançamento por uma grande gravadora — no caso, a RCA/Columbia/Sony. No mercado fonográfico de hoje é raro uma banda demorar mais de dois ou três anos para lançar um novo disco, mas havia grande expectativa após o anúncio do álbum e do single “Bloom Baby Bloom”. Em Blue Weekend, o terceiro trabalho, a banda já havia deixado para trás o indie dos dois primeiros discos — e agora parece tê-lo abandonado de vez.

No release, o grupo definiu The Clearing como um “álbum de pop/rock clássico” que “soava como Fleetwood Mac”. E de fato, trata-se de um disco de pop com pitadas de rock e, sim, bastante marcado pela influência da banda de Stevie Nicks. Essa referência é especialmente clara nas músicas que remetem ao lado mais etéreo de Rumours, como “Just Two Girls”, “Passenger Seat” e “Play It Out”. Mas, com exceção da já citada “Bloom Baby Bloom” e de “White Horses”, o álbum entrega pouco rock.

Mesmo nessas faixas mais ROCK (em maiúsculas e com sotaque americano), o resultado ainda pende mais para o pop. O piano que abre “Bloom Baby Bloom” poderia facilmente estar na trilha de um musical hollywoodiano. No restante do disco, a bateria é coadjuvante — apenas marcando o tempo — enquanto as guitarras praticamente desaparecem em meio a tantos pianos.

Boa parte das faixas bebe da fonte daquele pop pianístico dos anos 2000, algo entre Vanessa Carlton e Norah Jones. A vocalista Ellie Rowsell soa bem mais contida: o alcance diminuiu e a presença etérea da sua voz, um dos traços mais marcantes da banda, ficou escondida.

Apesar de citar Fleetwood Mac, a influência mais evidente parece vir das compatriotas da The Last Dinner Party — mas sem o mesmo apelo teatral. O resultado é agradável de ouvir, mas nada marcante, nada que prenda o ouvinte.

A Wolf Alice entrou na minha vida em 2016, um ano após o lançamento do debut My Love Is Cool. A voz de Ellie Rowsell ecoava no trailer de T2: Trainspotting e eu fiquei imediatamente fascinado. A faixa “Silk”, assim como o álbum inteiro, foi provavelmente um dos que mais ouvi naquele ano. O estranhamento com a roupagem mais leve e pop de Blue Weekend foi imediato, mas eu estava preparado dessa vez. O que eu não esperava era não gostar dessa mudança.

6.2

The Clearing – Wolf Alice

Gravadora: Sony Music

Agradável, e nada mais. Pouco "Wolf" pra muita "Alice".

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.