Num tempo em que a MPB jovem flerta mais com o algoritmo do que com a afoiteza, surge “Afim“, álbum de estreia de Zé Ibarra. Filho de uma produtora de eventos chilena e de um fotógrafo baiano, José Vitor Ibarra Ramos ganhou notoriedade ao integrar a banda Dônica, formada ao lado de Tom Veloso, filho de Caetano Veloso e Paula Lavigne, além de participar da criação do grupo Bala Desejo. Um currículo digno de surpreender até o algoritmo da Gupy, não é?
Mas voltemos ao trabalho. Das oito faixas, apenas duas levam a assinatura solo de Ibarra. E é justamente isso que faz com que “Afim” abra mão do protagonismo para, simplesmente, transmutar o som. O resultado é um disco de colaborações, releituras e composições próprias que reafirmam sua vocação como intérprete e artesão de afetos.
De Dora Morelenbaum em “Essa Confusão“, Tom Veloso em “Morena“, Maria Beraldo em “Da Menor Importância” ou Sophia Chablau em “Segredo”, tudo soa extremamente límpido, esmerado e belo. É evidente que o talento do fluminense se molda nas percussões, nos coros assertivos e nessa anuência amorosa que atravessa pouco mais de 30 minutos de audição.
Sem sombra de dúvida, é um registro interessante, coeso e ataviado. Sim, “Afim” é bonito e cuidadoso, mas às vezes parece andar com o freio de mão puxado. Isso não o torna, assim, como dizer… essencial? Necessário? Imprescindível?
Ainda assim, Zé Ibarra se afirma como intérprete e artista generoso, atento ao seu tempo.
Afim – Zé Ibarra
Gravadora: Coala Records
Em Afim, Zé Ibarra faz da interpretação sua maior arma e encontra força no coletivo. Mas é o suficiente?
