O Sepultura sempre foi uma banda que se recusou a parar no tempo. Independente da formação, sempre foi em frente com discos novos, integrantes internacionais, colaborações improváveis e uma base de fãs que atravessou gerações. Sempre com muito talento, dedicação, representatividade e admiradores em todos os continentes. Isso nos enche de orgulho!
Mas chegou a despedida… e faltou ambição.
The Cloud of Unknowing até funciona como EP. São quatro faixas sem erros gritantes: “All Soul Rising” vem no thrash direto, nervoso; “Sacred Books” e “The Place” flertam com aquele groove meio tribal que ecoa Roots e “Beyond the Dream”, parceria com Tony Bellotto e Sergio Britto, mostra um lado mais sensível, por assim dizer.
Mas o problema aqui é outro: Esse trabalho não soa como o final, um adeus que a banda merece.
Na minha humilde opinião, parece só mais lançamento, que daria para encaixar na grandiosa discografia da banda, talvez entre o A-Lex (2009) e Kairos (2011).
É fato que Sepultura nos acostumou mal. Eu particularmente esperava algo tipo um projeto conceitual que fale sobre despedidas. Ou apenas mais ambição.
Isso quer dizer que as músicas são ruins? Não, pelo contrário, é legal pra caralho. Mas o sentimento que ficou depois de ouvir algumas vezes é que simplesmente se desligou a luz e fechou a porta. Nada demais.
A resenha terminaria ali em cima. Mas lembrei de uma música do Zumbis do Espaço que fala assim: “Tantos anos de norte a sul / Eu já estive em todo lugar
Onde existe um trabalho a fazer/ Que só eu possa executar” aí depois o refrão fala: “Vamos aos fatos, eu não me sinto culpado/ Eu não lhe devo nem um centavo/ Adeus e até nunca mais”. E sim, Sepultura acabou.
The Cloud of Unknowing – Sepultura
Gravadora: OneRPM
Um fim discreto para uma banda gigante.
