Devo confessar que não sou muito fã do formato “duo”. Claro, alguns são ótimos (como White Stripes), outros regulares (como Black Keys) e outros enfadonhos (como Angine de Proteine). Mas boas surpresas sempre aparecem, como é o caso do duo paulistano QMAR, que lançou, em março deste ano, seu primeiro álbum, intitulado Orações Oferecidas a Estranhos. Entre a data de lançamento e esta resenha, você pode perceber uma demora, mas este é um álbum que tem várias camadas para serem absorvidas.
O QMAR é formado por Paula Rebellato e Cacá Amaral, figurinhas conhecidas da cena independente paulistana. Paula é integrante do Madrugada e do Rakta, e Cacá, que atualmente integra o Rumbo Reverso, tem no currículo uma passagem por uma das instituições do underground nacional, o Firefriend. A união dessa dupla nos traz um belo álbum para quem gosta de sons não convencionais. Juntando eletrônica, psicodelia, krautrock e experimentação, o QMAR fez um álbum que se destaca e deve agradar a quem gosta de ouvir boa música, conseguindo unir o experimentalismo a uma pegada densa que o torna uma das pérolas do ano de 2026 em terras brasileiras.
A faixa-título abre o álbum com um clima psicodélico (parece “Tomorrow Never Knows” em um clima mais lento), servindo como uma boa amostra do que será oferecido ao ouvinte. “Bodies Bun” tem nos vocais uma bela pegada de Portishead (essa é minha faixa preferida do álbum). “Tocoarcanto” segue a mesma linha, com um clima um pouco mais soturno. Já “A Rainy Day” tem uma pegada dos álbuns de Yoko Ono dos anos 70.
Na sequência, a faixa “Necromancia” é uma paulada, com mais de oito minutos, que serve de combustível para viajar (em todos os sentidos que você possa imaginar). Densa e intensa, não vai agradar multidões, mas é um petardo para os tímpanos. “Espírito Espião” tem um clima ritualístico, e “Strangest Sea”, faixa que encerra o álbum, serve para o ouvinte aterrissar em terra firme (mas provavelmente você estará insano após ouvir todo o disco).
Como disse no início, Orações Oferecidas a Estranhos é um álbum denso, onde o experimentalismo é a tônica. A cada audição o disco se revelou capaz de provocar novas sensações e emoções. É um disco para ouvir viajando, andando pela cidade, no parque, na praia, no carro (ou no metrô) e em qualquer outro lugar que você achar apropriado. Ou seja, escute este álbum do Qmar e boa diversão.
Orações Oferecidas a Estranhos – QMAR
Gravadora: Independente
Duo paulistano lança álbum de estréia denso e intenso que é um prato cheio para os fãs dos bons sons.
