CRISE – por favor, me perdoe. as más notícias finalmente chegaram (2026)

CRISE – por favor, me perdoe. as más notícias finalmente chegaram (2026)
(Reprodução)

E a cena brasileira de rock independente continua rendendo boas descobertas no ano de 2026. Cada semana chegam novos lançamentos (além dos que esquecemos de postar no momento em que recebemos) e a qualidade tem sido, no geral, boa. E a dica de hoje, na seleta curadoria do UnderFloripa, é a banda sorocabana Crise.

Esse quinteto é formado por Cristine Siqueira, Gabriel Pasin, Raphael Resta, Caio Lobo e Enzo Mori que gravitam entre o dream pop, shoegaze e psicodelia (com um pezinho no rock progressivo) para criar um interessante disco de estréia, que tem o ótimo título de “Por favor, me perdoa. as más notícias finalmente chegaram”. E eles mostram que estão disposto a fazer acontecer com esse disco, pois além das ótimas composições autorais acertaram na produção (que coube a Ítalo Riber). Em alguns momentos lembram o space rock do Hawkwind, em outros as melodias do Blonde Redhead e a psicodelia do Violeta de Outono.

Como já aconteceu com outros álbuns, demorei para publicar essa resenha. Mas cada vez que ouvia o disco, descobria uma novidade interessante nos arranjos e melodias. Os vocais de Cristine (que me lembraram, em algumas faixas, a Paula Toller), os timbres de guitarras de Raphael e o teclado de Enzo (não esquecendo da bela cozinha de Caio e Gabriel) soam de forma muito harmônica ao longo do álbum.

Para comentar as músicas, não vou seguir a ordem do álbum, porque uma delas se destaca de maneira espacial: a viajante Elefante, com seus quase 10 minutos de pura viagem melódica psicodélica. Que música boa. A já conhecida Robofoot (lançada previamente em single) abre o disco e se encaixa bem no clima. A faixa Insisto/ Desisto tem uma bela pegada dream pop, assim como a faixa seguinte Quanto Tempo tem uma bela pegada lo-fi.

Ah, as letras retratam crises e angústias do jovens entre 20 e poucos até 30 e poucos anos, mas conseguem refletir crises e as angústias de quem já passou dessa fase e, provavelmente, vai se identificar (uma crise geracional que os mais velhos vão entender também). A melancólica Tempos Possíveis dá uma quebrada no clima (aqui o clima deprê fica mais intenso), passando por Ofensa, também com uma pegada deprê, e após a alegre (pero no mucho) balada Ao Seu Lado. Quixote fecha o álbum com aquele clima de calmaria pós uma tempestade (ou crise).

Resumindo: escute esse álbum e aprecie uma sonoridade densa e encantadora ao mesmo tempo em 40 minutos que são um agrado aos tímpanos que apreciam os bons sons. Claro que alguns pontos podem ser aprimorados (acho que o final do disco ficou um pouco destoante em relação ao início, mas nada comprometedor), mas a banda deixa uma ótima impressão (aguardando para assistir um show deles) e mostra que o rock independente nacional está na melhor fase da década. Escuta aí e boa diversão.

8.0

por favor, me perdoe. as más notícias finalmente chegaram – CRISE

Gravadora: Lastro Musical

Quinteto de Sorocaba surpreende em álbum de estreia com uma bela mistura um mix de anos 60, 70 e 80.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.