Frank Jorge – Vol. 3 (2009)

Frank Jorge – Vol. 3 (2009)
(Reprodução)

Falar do novo disco de Frank Jorge é uma tarefa fácil e difícil ao mesmo tempo.

Fácil em razão do currículo do rapaz, que tocou com nomes como Cascavelletes, Graforreia Xilarmônica e Cowboys Espirituais, é influência para várias bandas brasileiras (vide o Pato Fu) e sempre esteve na vanguarda de importantes movimentos de apoio à cultura (vale lembrar que foi um dos criadores do curso de formação de produtores e músicos de rock, mais conhecido como Escola do Rock). Difícil porque passar tudo o que seus trabalhos transmitem é complicado se você não entender os elementos de sua lógica, quais sejam: influências sessentistas (Beatles e Jovem Guarda principalmente) e letras que falam de amor e situações cotidianas.

Com certeza, esses elementos vão provocar aquela sensação de ame-o ou odeie-o. Em seu terceiro disco solo, intitulado Volume 3, que marca sua estreia na gravadora/grife Monstro Discos, Frank repete sua fórmula com músicas carregadas de belas melodias e boas letras.

“Elvis” abre o disco e já mostra o poder de fogo do álbum na frase: “Elvis na fase decadente é bem melhor que muita gente”. “Obsessão Anos 60” satiriza suas influências (e, por tabela, a obsessão pelos anos 80) de forma inteligente e bem-humorada. Daí para frente, músicas como “Eu Demiti um Amigo”, “Historiadora”, “Pilhas de Livros” e “Se Você Me Quiser” têm tudo para fazer aparecer em seu rosto aquele sorriso de orelha a orelha que mostrará seu prazer em ouvir este belo álbum.

Fica difícil dizer se ele é melhor que seus antecessores (Carteira Nacional de Apaixonado — 2000 — e Vida de Verdade — 2003), mas é um dos melhores discos feitos ultimamente no rock nacional. Pode comprar, que é diversão garantida.


Resenha publicada anteriormente no Under Floripa em 2009.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.