Show duplo em São Paulo reuniu clássicos de Morphine, Galaxie 500 e Luna em uma noite marcada pela nostalgia e pela celebração do indie rock dos anos 90.
Em um início de maio, com uma agenda lotada de shows em São Paulo, em um sábado pré-Dia das Mães, o Cine Joia recebeu dois artistas que remetem a duas instituições do indie rock: o Vapors of Morphine e Dean Wareham. Esses dois nomes nos levam, respectivamente, ao Morphine e ao Galaxie 500 (e ao Luna). E, decididamente, isso não é pouca coisa.
A casa abriu as portas às 18h30 para receber os sedentos pelo indie dos anos 90. Um bom público esteve presente para conferir os shows. Gosto de ir a apresentações no Joia. O campo visual é ótimo — você consegue ver o palco lá do fundo, independentemente da altura — e o som, geralmente, também é muito bom.
O primeiro a subir ao palco, às 19h30, foi Dean Wareham e sua banda. Já de saída, largou “Flowers”, do Galaxie 500, e empolgou uma plateia que estava ali justamente para isso. “Temperature’s Rising”, “Snowstorm” e “When Will You Come Home” emendaram uma sequência de “hits”, que ainda contemplou músicas do Luna (“Friendly Advice” e “23 Minutes in Brussels”), além de covers de Leonard Cohen (“Bonnie and Clyde”), Yoko Ono (“Listen, the Snow Is Falling”) e The Modern Lovers (“Don’t Let Your Youth Go to Waste”).

E teve bis, sim, com “Ceremony” e “Tugboat”. Foram mais de uma hora e meia de show que lavaram a alma do público. Não foram muitos os momentos de interação com a plateia, mas, em um deles, Dean lembrou de sua passagem por São Paulo, em 2001, com o Luna — o show aconteceu na choperia do Sesc Pompeia.
Ótimo show, noventa minutos no total, banda superafiada e a voz de Dean continua praticamente a mesma. Resultado: público em êxtase.
Após um intervalo de meia hora, sobe ao palco, às 21h30 em ponto, o Vapors of Morphine para tocar músicas de uma das bandas mais importantes dos anos 80 e 90, o Morphine, além de faixas de seus discos autorais. Eles já haviam vindo ao Brasil no ano passado — no mesmo Cine Joia — e retornaram para a alegria do público.
A banda abriu o show com “Have a Lucky Day”, que já animou a galera, seguida de “The Other Side”. Mais comunicativos que Dean, o Vapors parecia ser a banda favorita da maioria dos presentes no Cine Joia.

Em duas horas de show, rolaram clássicos como “Cure for Pain”, “Buena”, “The Saddest Song”, “Souvenir” e “Sharks”, todas executadas de forma digna do legado do Morphine. “Irene” e “Out of Mambo”, dos trabalhos autorais da banda, também estiveram no setlist.
Sempre que lembro do Morphine, os nomes que me vêm à cabeça são Dana Colley (sax) e Mark Sandman, falecido em 1999. No show, Colley mandou muito bem, como sempre, e Jeremy Lyons também esteve ótimo no baixo e nos vocais — além da difícil tarefa de “substituir” Sandman.
“Radar” encerrou as duas horas de show com o público aplaudindo entusiasticamente.
Ao final, o público que saía do Cine Joia estampava um sorriso por ter desfrutado de ótimos shows que homenagearam bandas icônicas do indie rock dos anos 90 — que conheci pelos CDs lançados no Brasil pela gravadora Trama.
Ah, e um acerto da produção foi não ter banda de abertura e apostar em dois shows extensos, exatamente o que o público queria, pelo preço de um único ingresso. Quem foi se divertiu bastante.



