Certas bandas se tornaram acontecimentos, não tem como negar. Se os Beatles estivessem todos vivos, seriam um desses casos.
Mas os Rolling Stones estão na ativa após 60 anos, e o amor do atual trio pela música é o que permeia seu vigésimo quinto álbum. Mas quem está contando?
É um trabalho honesto, que se destaca entre os últimos lançamentos. Não vai, de forma alguma, sobrepujar os clássicos, mas tem seu charme e traz canções interessantes.
“In the Stars” tem cara de hit, com videoclipe bacana e aquele riff chiclete. A mistura de rock, coralzinho de fundo, guitarra inconfundível e pegada pop moderada funciona muito bem.
“Jealous Lover” também ganhou um videoclipe bem bacana com a garota do momento, Anya Taylor-Joy, além da pegada romântica e dos famosos falsetes de Jagger.
Com apenas as três faixas iniciais, é possível entender a química da banda, o contexto de senhores com mais de oitenta anos se divertindo e mantendo sua relevância desde a década de 60. Gravar álbuns, fazer turnês por décadas, chegar à idade de terem filhos e netos e continuar fazendo música deixa o mundo mais feliz. Afasta o etarismo e mostra que é possível fazer arte em qualquer idade. As pedras rolam, a relevância permanece e os Stones continuam sua caminhada.
Não é a salvação do rock, mas, quando se presta atenção nas letras de “Mr. Charm” e “Ringing Hollow”, a banda não alivia as farpas para a extrema direita nem para figuras detestáveis como Trump e Musk. E aí estão senhores na casa dos oitenta anos dando aula de história para roqueiros de direita brasileiros.
Isso, sim, é mais digno do que um álbum novo inteiro das pedras que nunca pararam.
Foreign Tongues – The Rolling Stones
Gravadora: Universal Music
Um bom álbum com potenciais hits, mostrando mais uma vez a relevância de uma banda do alto de seis décadas de excelentes serviços prestados!
