Kurt Vile – Philadelphia’s Been Good To Me (2026)

Kurt Vile – Philadelphia’s Been Good To Me (2026)
(Reprodução)

Descobri Kurt Vile relativamente tarde. Se a memória não falha, era 2017. Na época, ouvi b’lieve i’m going down… até a exaustão e, alguns anos depois, comprei em vinil (watch my moves), lá nos tempos áureos da Imusic, quando importar discos ainda não exigia vender um rim.

De lá para cá, muita coisa mudou. O mundo ficou mais acelerado, as redes sociais mais insuportáveis e eu mesmo passei a ouvir música de outra forma.

Mas o som de Kurt Vile permaneceu praticamente intacto. E digo isso como elogio. O músico segue fiel ao indie rock que construiu sua reputação, transitando entre o folk, a psicodelia e ocasionais explosões de guitarra, sempre sem perder sua identidade.

É exatamente isso que encontramos em Philadelphia’s Been Good To Me, seu nono álbum de estúdio. Lançado recentemente, o disco funciona como uma homenagem à cidade que o formou. Assim como fizeram artistas como Elton John e Bruce Springsteen em diferentes momentos de suas carreiras, Vile volta seu olhar para o lugar onde cresceu, transformando ruas, lembranças e situações cotidianas em matéria-prima intrépida para suas composições.

Musicalmente, ele continua fazendo aquilo que sabe fazer melhor: criar canções que parecem despretensiosas, mas revelam novas camadas a cada audição. O melhor exemplo é “99th Song”, uma faixa de dez minutos que costura memórias, observações e pequenas histórias com uma naturalidade impressionante. É o coração do álbum. Já “Piano for Sarah” surge como um respiro instrumental antecedendo o encerramento do disco.

Talvez este não seja o álbum ideal para quem está conhecendo Kurt Vile agora. Trata-se de um trabalho contemplativo, intimista e muito conectado à trajetória pessoal do artista. Por outro lado, quem já acompanha sua discografia provavelmente encontrará aqui tudo aquilo que faz dele um dos compositores mais interessantes do indie norte-americano contemporâneo.

Por isso, se você nunca ouviu Kurt Vile, minha recomendação continua sendo começar por b’lieve i’m going down… ou (watch my moves). Depois disso, volte para Philadelphia’s Been Good To Me. A experiência provavelmente fará ainda mais sentido.

Boa audição!

10

Philadelphia’s Been Good To Me – Kurt Vile

Gravadora: Verve

Kurt Vile transforma nostalgia, memórias e guitarras contemplativas em mais um grande capítulo de sua carreira no álbum Philadelphia's Been Good to Me.

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Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.