Show da banda inglesa no Fabrique foi o ponto alto da terceira edição do MassariFest, festival idealizado por Fábio Massari, em uma noite que também reuniu Firefriend e Macaco Bong.
Após um merecido período de férias, fui escalado para cobrir a terceira edição do MassariFest, evento que já é um marco do cenário underground brasileiro. O nome do festival já revela o responsável pela curadoria: o reverendo Fábio Massari, um dos grandes nomes da época áurea da MTV e responsável por indicar várias bandas sensacionais (aquelas que você não vai encontrar no algoritmo do streaming).
Com três atrações, o evento foi realizado no Fabrique e tinha os shows e a venda de produtos que todos os fãs de música adoram: vinis, livros, camisetas, pôsteres e outras memorabílias que consomem o limite do cartão de crédito. O line-up reunia três bandas, número ideal para um evento desses, e os horários foram religiosamente respeitados (outro ponto favorável).
O primeiro show da noite foi do Firefriend, banda paulistana que já tem duas décadas de estrada no underground. O agora quarteto, comandado por Yuri Hermuche e Julia Grassetti, fez um show curto, mas muito bom. As influências de The Brian Jonestown Massacre e Sonic Youth ajudaram a aquecer os ouvidos do bom público que estava presente.

Na sequência foi a vez dos cuiabanos do Macaco Bong, outra instituição do underground brasileiro. O quarteto subiu ao palco para mostrar seu som instrumental, que mistura grunge, post-rock e pitadas de jazz. Foi um bom show, que deu uma quebrada na fritação do Firefriend e relaxou os ouvidos dos presentes. E a banda teve uma concorrência inusitada, pois, no mesmo horário, Vozinha e seus companheiros nos fizeram acreditar que os hermanos voltariam mais cedo para casa (a todo momento uma parte do público olhava no celular para ver o placar). Infelizmente não deu.

No momento em que terminou o show do Macaco Bong, nenhum dos presentes imaginava o que estava por acontecer.
Às 22h, o Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs subiu ao palco e iniciou os primeiros acordes de “The Wyrm”, faixa do mais recente álbum, Death Hilarious. O tempo e o espaço mudaram. Quem estava no Fabrique simplesmente foi atropelado por uma máquina sonora, tocando em volume máximo. O quinteto inglês destila um mix de stoner, doom, noise e psicodelia de altíssima qualidade que chapou a galera. Impressionante a altura do som e a intensidade da banda. A banda simplesmente enlouqueceu o bom público presente, que retribuiu de forma intensa, com gritos (em vários momentos rolou o coro de “Pigs Pigs Pigs Pigs”) e muito mosh. Ah, teve também um coro de “Massari! Massari! Massari!”. Um set de 12 músicas (sem bis) que foi intenso e brilhante.

Às 23:17h, o Pigs7x devolveu o público ao tempo e ao espaço do Planeta Terra. No rosto de todos havia aquela expressão: “o que foi isso?”. A resposta é: um culto aos bons sons em homenagem ao reverendo.
Obrigado, Pigs7x, Massari, André Barcinski, Marary, Powerline e demais envolvidos. Até o MassariFest 2027!



