Muse – The Wow! Signal (2026)

Muse – The Wow! Signal (2026)
(Reprodução)

Acho que o Muse é uma banda que se perdeu…

Quando foi a última vez que eu realmente gostei de uma música deles? Foi “Uprising”, de 2009? Talvez. Mas eu já achei The Resistance esquisito e, sinceramente, esquecível. Desde Black Holes and Revelations, em 2006, parece que a banda nunca mais alcançou o patamar que nós mesmos criamos para ela. De lá para cá, sempre falta alguma coisa. O DNA do Muse ainda está lá — os riffs grandiosos, a voz dramática de Matt Bellamy, os sintetizadores, os excessos —, mas já não provoca a mesma sensação.

O mesmo vale para The Wow! Signal, lançado na última sexta-feira.

A abertura, “The Dark Forest”, claramente tenta evocar o cowboy espacial de “Knights of Cydonia”. Não é uma faixa ruim, mas está longe de ser uma abertura memorável. Apesar da orquestração, dos corais e de um breakdown interessante perto do fim, falta justamente aquilo que sempre diferenciou o Muse: impacto. Parte da culpa talvez seja da produção, assinada pela própria banda. O maximalismo que sempre definiu sua identidade foi levado ao extremo a cada disco, e “The Dark Forest” mostra como, às vezes, menos realmente é mais.

Ou talvez, no caso do Muse, mais tenha acabado virando menos.

O primeiro eco do Muse que conhecíamos e aprendemos a amar aparece apenas na quarta faixa, “Cryogen”. Aquele falsete clássico de Matt Bellamy vem acompanhado de um riff nervoso e com o fuzz no talo. “Hexagons” também evoca o passado, com um sintetizador que remete a “Bliss”, uma das minhas faixas favoritas da banda.

De resto, é difícil definir o que estou ouvindo. É um pastiche genérico de roquinho neopop moderno à 21 Pilots ou Imagine Dragons com um tempero de Muse. Tem até uma música com um dueto entre Bellamy e a também inglesa Ellie Goulding. A faixa é boa, mas era necessária? O que ela acrescenta ao álbum — ou mesmo ao catálogo da banda? A mesma pergunta vale para mais da metade do disco. “Nightshift Superstar”, por exemplo, poderia facilmente ser uma faixa do Jungle (que eu sempre considerei um Chromeo da Série B). O baixo de Christopher Wolstenholme, que já foi uma das maiores referências das quatro cortas no indie e no alternativo, continua apagado entre tantas camadas de sintetizadores.

O curioso é que o Muse nunca soou tão Muse. Todos os elementos estão lá: os corais, os sintetizadores, os riffs pesados, a grandiosidade, Matt Bellamy cantando como se estivesse narrando o fim do mundo. Mas, pela primeira vez, isso parece insuficiente. A banda aperfeiçoou tanto a própria fórmula que acabou deixando de lado aquilo que realmente importava: músicas que fazem a gente querer dançar e bater a cabeça.

5.9

The Wow! Signal – Muse

Gravadora: Warner Records Inc.

É triste ouvir uma banda que a gente costumava comparar com o Queen ser comparada com o Imagine Dragons.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.