tapete tapete, Daguerre e Carmino transformam noite no Desgosto Bar em retrato da força da cena catarinense
tapete tapete: reprocessar a arte faz parte do business
No dia em que o MC Daniel resolveu dar uma literal recapeada no rosto, eu estava no Desgosto Bar quando notei que a nossa querida tapete tapete havia mexido no andamento do show da “Premiada Tapeçaria Borges”.
Alguns efeitos de reverb aqui, alguns andamentos mais rápidos ali.
Foi proposital?
Sim, foi! Descobri depois do show… embora eu pudesse simplesmente ter deixado aqui um “não saberia dizer”.
Depois de alguns meses afastado dos quatro jovens, percebi uma nova dinâmica.
Um show mais experimental, mais focado na técnica, mais ácido.
Não há muito o que escrever sobre o nosso quarteto favorito que já não tenha sido dito. A virulência continua toda ali. A pungência e o peso também.
A tapete tapete não mudou tanto. Está apenas alterando a percepção de algo que já existe há mais de um ano.
E, por favor, precisamos de músicas novas. A ansiedade já bate no núcleo duro (LÁ ELE!!!) do Under Floripa há meses…
Daguerre, ou a tempestade e a calmaria andam juntas

O quinteto, que fazia tempo que eu não via, voltou com toda a pompa e circunstância.
Se no primeiro show, no Centro Leste, no nosso sempre querido Inferninho Brocave, a banda soava como uma descoberta, em outro palco e outra casa ela manteve exatamente a mesma pegada: um rock indie muito bem executado, conduzido por uma vocalista que toma conta do espetáculo.
Sofi Frozza é uma força da natureza. Não apenas nos synths, mas principalmente pela postura à frente da banda. Em alguns momentos, transmite uma leveza impressionante; em outros, vira uma tempestade, dependendo da música.
O entrosamento de toda a banda como unidade musical é de tirar o chapéu. E Crisálida continua sendo, sem dúvida alguma, um dos melhores trabalhos que ouvimos no ano passado.
É mais uma banda pronta para tomar de assalto os melhores palcos do Brasil.
Carmino, ou como não amar essa performance?

O encerramento não poderia ter sido melhor.
Carmino, uma das melhores descobertas do site e um dos artistas mais interessantes do estado.
Com a mesma banda que o acompanha desde a primeira vez em que o vimos, Carmino apareceu sem o tradicional terno preto e a camisa vermelha.
Simplesmente por causa do calor.
E o status quo do personagem que incorpora não mudou absolutamente nada. Afinal, quantas pessoas conseguem subir ao palco de camiseta branca, sendo jovens, sem parecer um inimigo da moda?
Carmino consegue.
Toda a sua pujança esteve presente.
Com seus trabalhos mais recentes e o novo single, “Pégaso” — que recomendo que todos escutem o quanto antes, porque é excelente e foge do lugar-comum.
Pouco antes das 23 horas, o convescote chegava ao fim, deixando aquele inevitável gostinho de quero mais.
Como é bom ver a história acontecendo bem na sua frente.
Agradecimentos
À Daguerre pelo convite para assistirmos aos shows.
Ao Carmino pelo vídeo divulgando a apresentação.
À tapete tapete, porque alguém da banda disse que eu vou ganhar um presente!
Ao Desgosto Bar, pelo atendimento especial de sempre.
E, falando sério…
Quando vão voltar os combos de chope?



