Camarones Orquestra Guitarrística – Samburá (2026)

Camarones Orquestra Guitarrística – Samburá (2026)
(Reprodução)

Pouco mais de 20 minutos e uma vontade absurda de dar replay.

Existe uma diferença brutal entre uma banda saber tocar e saber exatamente o que quer fazer com aquilo que toca. Depois de quase duas décadas de estrada, a Camarones Orquestra Guitarrística parece cada vez mais fazer parte do segundo grupo.

E Samburá, novo trabalho da trupe, é uma bela demonstração disso. Com nove faixas e pouco mais de 20 minutos, o álbum mostra uma banda madura, mas que, felizmente, não perdeu a diversão pelo caminho. Tem rock, psicodelia, surf music, guitarrada, ritmos nordestinos e latinos, tudo misturado com a naturalidade de quem já incorporou essas referências ao próprio DNA.

O título ajuda a explicar o momento. Samburá é o cesto usado por pescadores para guardar aquilo que foi recolhido durante a pescaria. Seria uma analogia ao que foi “pescado” ao longo de toda a carreira?

Curti muito “A Boy Digital”, que abre o disco com uma energia quase cinematográfica, enquanto “CasaCajá” e “Seres Fantasmas” caminham por terrenos mais contemplativos. Tem também “Pé Grande” e “Seridó”, mergulhadas em muita psicodelia nordestina.

Curti. Curti muito. Curti pacas. E ainda bem que existe o replay.

Samburá – Camarones Orquestra Guitarrística

Gravadora: Dosol

Camarones pesca 20 anos de estrada em Samburá.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.