Dennis e o Cão da Meia-Noite – Não Deixe Ninguém F*Der Sua Mente (2026)

Dennis e o Cão da Meia-Noite – Não Deixe Ninguém F*Der Sua Mente (2026)
(Reprodução)

Um disco estranho na medida certa.

É a terceira vez que começo a escrever a resenha de Não Deixe Ninguém FDer Sua Mente*, da banda paulistana Dennis e o Cão da Meia-Noite.

Nas duas vezes anteriores, tinha começado falando sobre a criatividade do nome, mas meio que perdeu a graça. A questão é que o projeto liderado por Dennis Monteiro está em seu terceiro trabalho e começa a chamar atenção para além do nome peculiar.

Em nove músicas, temos o pós-punk como estilo dominante, mas o disco se movimenta com certa naturalidade entre o shoegaze, o punk e até o funk/hip-hop, como na faixa homônima. Tem pós-punk? Bastante. Mas, felizmente, não temos uma banda preocupada em fazer cover de Joy Division.

O baixo conduz boa parte da brincadeira, enquanto guitarras, sintetizadores e bateria constroem aquela atmosfera sombria e melancólica.

Aliás, o nome do álbum é deliberadamente vulgar e direto: Não Deixe Ninguém FDer Sua Mente*. E, como não poderia ser diferente, aqui a saúde mental não é tratada com suavidade decorativa. São faixas que abordam o assunto, mas de uma forma quiçá mais espontânea do que outras bandas fazem hoje em dia.

Em suma, eis aqui um daqueles discos que provavelmente funcionam ainda melhor num palco pequeno e escuro. Se você é frequentador desse tipo de inferninho, vá sem medo.

Não Deixe Ninguém F*Der Sua Mente – Dennis e o Cão da Meia-Noite

Gravadora: Dissonância Magnética

Há bastante daquela estética pós-punk oitentista, mas sem parecer uma banda tentando desesperadamente ressuscitar 1983.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.