BLACK PANTERA- Continental (2026)

BLACK PANTERA- Continental (2026)
(Reprodução)

Um dos grandes expoentes do rock brasileiro na atualidade acaba de lançar seu terceiro álbum de estúdio. São os mineiros do Black Pantera, que estão com o disco Continental saindo do forno. Quem é fã terá nesse novo trabalho todos elementos dos trabalhos anteriores que fizeram o sucesso do trio: muito peso (o heavy metal/trash com hardcore estão bem marcantes) e crítica social, afiada e necessária.

Quando os primeiros acordes da faixa título chegam aos ouvidos já podemos perceber que a banda continua intensa e nervosa, seja no som e na crítica acida ao modelo opressor que se vive (destaque para o trecho da fala incidental do geografo brasileiro Milton Santos presente nessa música). E aí percebemos que o Black Pantera é uma banda necessária e que seu som teve uma evolução nesse novo álbum.

E parte dessa evolução pode ser creditada as participações (para alguns feats) de outros artistas em faixas do álbum. E a lista de convidados é muito boa: Duquesa participa de Seratonina, Sandra de Sá participa de Quando Canto, Obsoleto tem o vocalista Derrick Green do Sepultura e Chico Cesar marca presença em Banzo (faixa que tem tudo para ser a “canção radiofônica do álbum”). Essas presenças somam ao som da banda e fazem de Continental um álbum que soa muito bem nos seus quase 43 minutos de duração.

Mas devo confessar que logo na primeira audição achei o som meio repetitivo e pensei: acho que a fórmula musical da banda está um pouco batida. Estava errado, a fórmula continua funcionando. Minha primeira impressão veio de uma comparação com o álbum ao vivo, intitulado Resistência! Ao Vivo no Circo Voador, que a banda lançou em maio deste ano. Em síntese: no registro ao vivo as músicas ganharam um peso e intensidade (graças também a bela participação do público) que as tornaram totalmente diferentes das versões dos álbuns. Ao ouvir Continental pela primeira vez senti falta do peso do ” ao vivo”, mas esse peso estará nos shows que a banda fará para divulgar o álbum.

Nas 13 músicas que fazem parte do álbum o trio, formado pelo baixista e vocalista Chaene da Gama, Charles Gama (guitarra e vocal) e Rodrigo “Pancho” (bateria) entregam um álbum coeso e bem produzido por Rafael Ramos, tendo o peso como base mas abertos a outras influências- como podemos observar nas músicas com Chico Cesar e Sandra de Sá, mostrando que continuam antenados e ácidos contra opressão, racismo e donos do poder. Que bom, em um momento histórico tão complicado, existir uma banda como Black Pantera. Escute, no volume mais alto, e boa diversão.

8.5

Continental – Black Pantera

Gravadora: Deck

Trio mineiro lança terceiro álbum de estúdio detonando preconceitos e opressões com um som intenso e aberta a novas influências

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.