Um dos grandes expoentes do rock brasileiro na atualidade acaba de lançar seu terceiro álbum de estúdio. São os mineiros do Black Pantera, que estão com o disco Continental saindo do forno. Quem é fã terá nesse novo trabalho todos os elementos dos trabalhos anteriores que fizeram o sucesso do trio: muito peso (o heavy metal/thrash com hardcore estão bem marcantes) e crítica social, afiada e necessária.
Quando os primeiros acordes da faixa-título chegam aos ouvidos, já podemos perceber que a banda continua intensa e nervosa, seja no som e na crítica ácida ao modelo opressor em que se vive (destaque para o trecho da fala incidental do geógrafo brasileiro Milton Santos presente nessa música). E aí se compreende o motivo de o Black Pantera ser uma banda necessária e que seu som teve uma evolução nesse novo álbum.
E parte dessa evolução pode ser creditada às participações (para alguns, feats) de outros artistas em faixas do álbum. E a lista de convidados é muito boa: Duquesa participa de Seratonina, Sandra de Sá participa de Quando Canto, Obsoleto tem o vocalista Derrick Green, do Sepultura, e Chico Cesar marca presença em Banzo (faixa que tem tudo para ser a “canção radiofônica do álbum”). Essas presenças somam ao som da banda e fazem de Continental um disco que soa muito bem nos seus quase 43 minutos de duração.
Mas devo confessar que, logo na primeira audição, achei o som meio repetitivo e perguntei: será que a fórmula musical da banda está um pouco batida? Eu estava errado, a fórmula continua funcionando. Minha primeira impressão veio de uma comparação com o álbum ao vivo, intitulado Resistência! Ao Vivo no Circo Voador, que foi lançado em maio deste ano. Em síntese: no registro ao vivo, as músicas ganharam um peso e intensidade (graças também à bela participação do público) que as tornaram totalmente diferentes das versões dos álbuns. Ao ouvir Continental pela primeira vez, senti falta do peso do “ao vivo”, mas esse peso estará nos shows que a banda fará para divulgar o álbum.
Nas 13 músicas que fazem parte do álbum, o trio, formado pelo baixista e vocalista Chaene da Gama, Charles Gama (guitarra e vocal) e Rodrigo “Pancho” (bateria), entrega um álbum coeso e bem produzido por Rafael Ramos, tendo o peso como base, mas aberto a outras influências — como podemos observar nas músicas com Chico Cesar e Sandra de Sá —, mostrando que continuam antenados e ácidos contra a opressão, o racismo e os donos do poder. Que bom, em um momento histórico tão complicado, existir uma banda como Black Pantera.
Escute no volume mais alto e boa diversão.
Continental – Black Pantera
Gravadora: Deck
Trio mineiro lança terceiro álbum de estúdio detonando preconceitos e opressões com um som intenso e aberta a novas influências
