Quando se fala de rock, a Ilha da Magia não é só lugar de bandas indies. Floripa e região também têm uma boa e criativa cena de metal. Seja com bandas do passado (aqui destaco o Osculum Obscenaum, de São José, com seu black metal/grindcore) e do presente (aqui destaco o Antichrist Hooligans, de Floripa, que retornou este ano com o lançamento do álbum Satan’s Blitzkrieg), a região sempre manteve viva a chama do bom metal. E, para somar à cena atual, acaba de ser lançado o álbum Tetric Tone, da banda Tetric Tone.
O quinteto tem integrantes que já são conhecidos da cena de metal de Florianópolis. São eles: Xande “Camisão”, Rafael “Grilo” e Claudio Regis, membros da primeira geração de headbangers da cidade, formavam a banda Vastness (1988–1994), que fez parte da cena local com shows históricos, como os do Rock no Bosque. Depois, Xande e Claudio tocaram na Agony (1992–1994), enquanto Rafael Grilo, Gian Domingues e David Victor fizeram parte da Morbus Inferno (1996–2002), banda de death/thrash que também marcou a cena da cidade. A própria banda aponta que suas influências são variadas, como Mercyful Fate, Candlemass, Black Sabbath e Metallica, fazendo do álbum de estreia um prato cheio para os fãs do bom e velho metal.
A faixa de abertura é Mayday (SOS), um petardo que tem ótimos riffs (que lembram o melhor do Black Sabbath) e um refrão grudento. Um ponto a se destacar são as letras em inglês, o que faz todo sentido para o som proposto por eles. Poison Smoke é um doom metal de primeira qualidade, com riffs arrastados e ótimo solo, formando um instrumental que dá gosto de ouvir. O metal oitentista de Lethal Lady é outro ponto alto do disco, assim como Oniric Reality (que saiu antes como single).
A banda deixa clara suas influências, mas não soa como uma cópia dos artistas que formam sua base sonora. E, em estilos como o doom metal, é importante se falar isso, pois muitos dos riffs que escutamos, e gostamos, têm sua base nos primeiros trabalhos do Black Sabbath e até hoje mostram que é possível fazer boas canções com essa origem. E, fora as influências já citadas, temos também presença de stoner rock, como em Masks of Terror.
A faixa Infectus Bar, um belo thrash metal, encerra o disco e deixa a satisfação de se ouvir um bom álbum de metal (em todas as músicas, o bate-cabeça rola solto). Uma ótima estreia de uma banda que tem integrantes experientes na cena metal da Grande Florianópolis. A cozinha, formada por Claudio (baixo) e Grilo (bateria), está muito bem azeitada e permite que Gian e David façam um belo trabalho com as guitarras (os solos são ótimos para “air guitar”, o que me cativou), deixando os vocais de Camisão bem à vontade (e sem exageros).
Vista sua camisa preta e escute Tetric Tone, que é diversão garantida.
TETRIC TONE – TETRIC TONE
Gravadora: Independente
Quinteto de Florianópolis lança um álbum com bons riffs para bater cabeça e tocar "air guitar".
