Que retorno, senhores!
Quando penso em bandas instrumentais nacionais, sempre me vem à cabeça uma tríade formada por Pata de Elefante, Camarones Orquestra Guitarrística e E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, que acaba de colocar na praça o EP Lembrança, sexto material de estúdio do grupo.
Para quem não conhece, a banda trabalha dentro do post-rock, com melodias que também passam por outros estilos, como o shoegaze.
O EP foi composto e gravado entre São Paulo, Berlim e Nova York, em um processo marcado pela distância física entre os integrantes. São cinco faixas com muito peso, harmonia e tom elegíaco, construindo um som introspectivo, instrumental e atmosférico. Usei palavras bonitas para dizer que Lembrança combina post-rock instrumental, guitarras texturais, clima melancólico e uma dinâmica que vai da contemplação à catarse.
E esse lance da música instrumental de qualidade é insano porque a gente consegue entender um bocado de coisa sem ouvir uma única palavra. Em Lembrança, até os nomes das músicas parecem conversar entre si: “O passado é mais infinito que o presente”, “Aos poucos”, “Reprise”, “Sem margem” e “Antes que eu me esqueça” atravessam momentos, distâncias e a passagem do tempo, enquanto o instrumental dá conta de preencher todo o resto.
Em suma, um retorno mais do que interessante de uma banda que considero pacas e que espero ver ainda em 2026 (ou no começo de 2027) em algum palco no Centro Histórico de Florianópolis.
Lembrança – E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante
Gravadora: Balaclava Records
Peso, melancolia e contemplação.
