Se isso é sobra, pode servir mais.
Depois do direto e cru Líneas Generales (2025), o quinteto argentino de indie pop Isla de Caras apresenta Cosquillas, um álbum que poderia ser apenas uma coletânea de sobras.
Só que não. A história é que estas sete faixas foram deixadas de lado em trabalhos anteriores e agora ganham vida juntas em um novo lançamento. E, longe de parecer um apanhado de músicas descartadas ou ideias incompletas, o que temos aqui é um conjunto bastante coeso, que reforça o talento dos rapazes de Buenos Aires para criar melodias simples, elegantes e extremamente agradáveis.
Talvez justamente por terem surgido em momentos diferentes, as músicas carreguem pequenas variações entre si, mas sem perder aquela identidade que acompanha o Isla de Caras: guitarras limpas, melodias ensolaradas, certo romantismo despretensioso e uma atmosfera urbana que parece existir entre o fim da tarde e o começo da madrugada.
O álbum tem apenas 21 minutos e recomendo ouvi-lo de uma tacada só. É aquele rockzinho à la Bandalos Chinos, cheio de balanço e muito urbano (sabe aquele som argentino que parece carregar um pouco da noite latino-americana dentro dele?) Tem saxofone, guitarras suaves, grooves discretos e uma elegância meio despreocupada que funciona muito bem.
É também o tipo de disco que consigo imaginar tocando baixinho nas cafeterias de Palermo, entre um avocado toast e um flat white, enquanto alguém trabalha no notebook fingindo não prestar atenção na playlist.
No fim, Cosquillas é sete músicas recuperadas de outros momentos da banda, reunidas em um trabalho curto, leve e bastante agradável.
Cosquillas – Isla de Caras
Gravadora: Rock City Agencia
Indie pop com sotaque portenho.
