Balaclava Fest 2026: indie dos anos 2000 domina primeiro dia em São Paulo

Balaclava Fest 2026: indie dos anos 2000 domina primeiro dia em São Paulo

(Reprodução)

Pedro Mizutani, Bar Italia, Wishy, Pedro The Lion, Ludovic, Dry Cleaning, Sharp Pins e Blonde Redhead marcaram o primeiro dia do festival no Tokio Marine Hall.

Em um sábado de muito calor em São Paulo, peguei o metrô e fui assistir a mais uma edição do maior festival de indie rock do Brasil: o Balaclava Fest, que fez a alegria dos fãs de boa música no Tokio Marine Hall.

Ir a um festival realizado indoor, com fácil acesso por transporte público, horários de shows que não conflitam (permitindo que o público possa assistir a todos os shows), em um local com boa acústica e iluminação e um line-up muito bom é um luxo. A dinâmica funciona em dois palcos (Hall, com shows de até 45 minutos, e o Balaclava, palco principal da casa) e tudo ocorre dentro do previsto. Ponto para a ótima produção e para as pessoas que trabalham no staff e no serviço.

Cheguei ao local às 16h e Pedro Mizutani, que foi encarregado de iniciar as atividades musicais do evento, já estava tocando no palco Hall. O cantor carioca fez um set baseado no seu primeiro álbum, lançado este ano, intitulado Nova Bossa: Aquele Abraço aos Ratos Vivos. As músicas que assisti achei boas, mas shows de abertura, ainda mais em um evento desse porte, acabam ficando como “aquecimento” para os demais.

Na sequência, fui ao palco Balaclava para conferir o Bar Italia. O grupo inglês já havia feito um sideshow na noite anterior e subiu ao palco do evento para um show menor, mas muito competente. Músicas como “Changer”, “Rooster” e “Punkt” funcionaram muito bem ao vivo. O som deles tem uma mistura de lo-fi, shoegaze e experimental e funcionou muito bem ao vivo.

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(Lohanne Villela)

E lá fui eu ao palco Hall para ver o Wishy. A banda americana também fez um sideshow no dia anterior. No festival, tiveram um show curto, mas competente. Aqui, o som remete às college radios dos anos 2000 (opinião de nosso talentoso fotógrafo Alexandre Aimbiré). Foi bom, mas, perto do fim, eu já estava me deslocando para ver o próximo show.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Os veteranos do Pedro The Lion subiram ao palco principal para fazer a alegria dos fãs presentes. Confesso que nunca fui muito fã da banda e, no início do show, achei meio devagar e burocrático. Essa impressão acabou quando começaram a tocar “Indian Summer”. Dali até o final, a banda emendou uma música após a outra e levou o público ao delírio. Ainda consegui o setlist, que será entregue à máquina de escrever humana Frederico DiLullo (editor e grande fã da banda).

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

E após fui ver o show da galera do Ludovic, que estava no palco divulgando seu novo álbum, lançado neste ano, e foi um dos pontos altos do festival. Uma das grandes bandas dos anos 2000, com uma presença de palco intensa e insana, o grupo liderado por Jair Naves incendiou o palco Hall. Foi muito boa a empolgação do público ao ouvir músicas como “Pedestal”, “Nenhum Carma” e “CVV”. Para mim, o melhor show do palco Hall.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Nem consegui descansar da intensidade do show e fui assistir aos ingleses do Dry Cleaning, que retornaram ao Brasil para fazer seu primeiro show indoor. Um dos grandes destaques dos últimos anos, a banda tem repertório ótimo, principalmente do álbum de estreia, New Long Leg. A banda tem muita intensidade ao vivo. Destaque para o guitarrista Tom Dowse e para a vocalista Florence Shaw, um charme à parte com seu estilo “falado” de cantar. Com um público que participou e cantou boa parte das músicas, o quarteto fez um ótimo show no palco Balaclava.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

E, com o cansaço batendo, o show do Sharp Pins no palco Hall ficou prejudicado. Assisti a três músicas (gostei de “I’m Breaking Down”), mas acabei descansando para ver o encerramento do palco Balaclava.

E o motivo para o descanso era ter total concentração para ver o trio nova-iorquino Blonde Redhead, atração que encerrou o primeiro dia. A cultuada banda americana estava tocando pela segunda vez no Brasil, com sua mistura de noise, shoegaze, dream pop e psicodelia. Em um local fechado, com boa acústica, esse show gerou um transe coletivo. Incrível como só três músicos conseguem, ao vivo, reproduzir tão fielmente as músicas gravadas em estúdio.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Destaque também para as projeções no telão ao fundo do palco, que deram mais impacto às músicas do setlist. Em 90 minutos de show, a entrega foi imensa, com ótimas versões de “Snowman”, “Doll is Mine” e “SW”. A banda também mostrou postura política em defesa da Palestina e da reeleição de Lula (rolou até um “Olé, olé, olé, olé, olá…” ). E, no bis, ainda teve o “hit” “23”. Showzaço!

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Ao final desse histórico show, o que sobrou do meu corpo foi indo pegar o trem com aquela alegria do fã de música inundando de riffs e melodias sensacionais. Agora era descansar e voltar para o segundo dia, no domingo.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.