Eu nunca entendi o fascínio por nomes que começam com letra minúscula. Sei lá, parece uma afronta à língua portuguesa, tão bela e complicada. Mas, citando beleza e complicação, talvez esse seja justamente o mote da banda tapete tapete, somado ao fato de querer fazer algumas letras pueris com música grandiosa.
O fato de conseguir unir algumas (não todas) letras simplórias, mas que ganham um contexto musical absurdo, é o que faz com que a banda flerte o tempo inteiro com o limite.
E é justamente por isso que me chamou a atenção! É complicado ser irônico, fazer boa música, unir a simplicidade e incorporar tantos estilos em sete faixas.
O quarteto começa com uma pedrada: “cansado”, riff pontuado com baixo e guitarra absurdos. Um rock com alguns andamentos beirando os anos 90. Bateria suja e produção espartana, para que o impacto não se perca em muitas firulas.
Na segunda faixa, “eu não sei dançar”, a sujeira vem mais alta: vocal escondido atrás da parede de guitarra e baixo. Novo casamento com os anos 90. Porém, o que me pegou foram as inúmeras influências que o quarteto possui. E, ainda assim, conseguem injetar ironia e desdém em alguns andamentos.
Um ouvinte mais atento vai perceber que a ironia é o ponto alto do grupo. Um rock pesado, repetindo “se eu soubesse dançar…”.
Não, meu amigo: com rock pesado, você definitivamente não precisa.
Aí vem a quebra, com “monotemático”. Uma explicação sobre não saber escrever para alguém, mas com uma letra pueril, condescendente e irônica. Por quê?
É uma música cadenciada sobre não saber escrever, com uma letra boba, mas impregnada da boa sacanagem que os jovens colocam em algumas canções.
“Eu não sei escrever, mas é sobre você. E, mesmo assim, vocês estão ouvindo.”
E a prova cabal da regra das três primeiras faixas se mostra mais do que acertada. Se as músicas te capturaram até aqui, segue em frente: vem mais coisa boa.
Cercada de ironia, flerte com muitas influências e bons músicos, tapete tapete conquistou este que vos escreve.
Uma banda pronta!
“cansado”, “café da manhã” e “televisão” conquistaram!
FICHA TÉCNICA:
tapete tapete: Artur Lopes Schimidtz, Gustavo de Faria Martins, Carlos Vinícius Moreira Vieira, Leonardo Fernandes Antunes
Arte de capa: Carlos Vinícius Moreira Vieira
Mix e produção: Carlos, o verdadeiro
Masterização: Pedro Lucas “Adieu”
Captação bateria: Tulio Capanema
Letras: Artur Lopes Schimidtz
Artur Lopes Schimidtz – Guitarras, baixo e vozes
Gustavo de Faria Martins – Bateria
Carlos, o Verdadeiro – Vozes de apoio
Leonardo Fernandes Antunes – Sintetizadores
Participação especial
João Hanysz – Strings em “monotemático”
MGMT – Vitória Saiago / BIRRA
Premiada Tapeçaria Borges – tapete tapete
Gravadora: Independente
Letras por vezes pueris. Músicas grandiosas. Influências dos anos 90. tapete tapete é muito mais do que parece.
