Com shows de Call The Cat Cave, ACT, sorosoro e The Completers, evento reafirmou a força do underground do Sul do Brasil.
O mais legal de você sair de casa para assistir a um show, obviamente, além dos shows, são as pessoas que você encontra e conhece, seja por causa da banda em si, pela participação no evento ou pelos músicos da banda.
Foi muito especial rever os jovens da sorosoro, conhecer três bandas ao vivo e rever o novo sócio do Inferninho, Eduardo Valente. Além, é claro, de rever o Renan, o Vini e todos que fazem a noite funcionar de verdade na Brocave.
Mas vamos ao que interessa: os shows em si!
Call the Cat Cave – Cria da Cidade
Call The Cat Cave — poucas vezes vi um duo lançar um EP bom para, depois, entregar um show tão cheio de insegurança no palco. A apresentação começa com um desencontro — talvez proposital, talvez não — entre as duas frontgirls.
A ideia é boa, muito boa, por sinal: um encontro entre post-punk e punk, daqueles mais rasgados. Existem algumas questões que devem ser levadas em consideração em uma banda que, no palco, se apresenta como um quarteto.
A banda soa como uma tremenda manifestação das maiores inseguranças da geração atual. É tão dissonante em cima do palco que acaba funcionando muito bem.

Na terceira ou quarta canção — uma cover de The Cure, “The Lovecats” — a integração do quarteto finalmente aconteceu. No palco, a banda assume a formação clássica com bateria, baixo e duas guitarras.
As vozes são completamente juvenis, mas talvez seja justamente essa inocência que deixe tudo mais interessante.
Vale a pena esperar por uma evolução, porque dá para sentir que tudo ali ainda é feito de maneira muito inocente e DIY. Com o tempo, certamente vão alcançar voos maiores.
ACT
Eu tinha ouvido o primeiro trabalho da banda no Spotify. Achei muito legal. HC do jeito que tem que ser, mas com um quê a mais.
Maneiro, bem low profile.
Aí rola o show.
Outro quarteto, que começa a apresentação de costas, interrompe e começa de novo.
Postura doida pra caralho.
Mas o que interessa é que funciona!
Por isso e por outras, foi uma das grandes descobertas da noite!

As músicas “Like a Splinter” e “Guilty Pleasures” são muito boas! A segunda, com um solo de sax ao vivo (que nem sempre acontece), é sair da caixa, é pensar além!
Prestem atenção em Gringo (vocal), Bruno (guitarra), Ícaro (baixo) e no baterista Paulo Jeca, que desceu a lenha e ainda parou para trocar ideia depois do show.
sorosoro
Primeiro, você pega uma explosão inicial, um incêndio completamente descontrolado. Depois, vai baixando o ritmo e dominando o ambiente.
Não era novidade alguma que o show seria bom — e foi exatamente isso que aconteceu. Os caras se entendem só de olhar um para o outro. São músicos que jogam pela música. O baixo embalando, a bateria cadenciada, as guitarras despretensiosas e, obviamente, o vocal.
Como eu já tinha visto um show antes, a expectativa se confirmou: seguramente, é um dos cinco melhores shows presenciados por esse péssimo escriba em 2026.
E vou confessar algo: eu queria escrever como eles tocam!
The Completers – Dark Wave & Post Punk Made in Rio Grande do Sul
Se alguém dissesse que era uma banda gringa, eu acreditaria. Vê-los no palco é saber que o Rio Grande do Sul tem um celeiro gigantesco de bandas, de todos os gêneros e tamanhos. E, para zero surpresa minha, o The Completers toca com uma precisão matemática!
Muitos que escutam música apenas como distração talvez não saibam, mas a música é extremamente matemática.
Ver essa precisão ao vivo é um achado, é a realização de muitos músicos que ensaiaram centenas de horas para mostrar que, ao vivo, tudo funciona como um metrônomo — dentro do limite e também fora dele, porque a música não é engessada.
Ela é arte, poesia, alma e, principalmente, escuridão, caos e delírio. Tudo o que cabe dentro do gótico, darkwave e post-punk.
Escutem, divulguem e, principalmente, comprem o material da banda!
E O FIM…
Lá pelas três e pouca, a gig acabava com a sensação de que aquela noite tinha sido especial, mágica — e muito disso passa por quem produz tudo: Jupi, idealizadora da Lodo Coletivo, a dona da porra toda!
Ao Inferninho da Brocave, pelo espaço aberto para shows tão singulares.
E às conversas com os músicos — isso sempre é impagável!



