Talvez esse título seja uma boa maneira de começar a falar sobre o show do Exclusive os Cabides no Teatro do Sesc Prainha, na última sexta-feira. Porque, se ainda precisava de alguma prova, a banda mostrou mais uma vez que já estourou faz tempo a bolha do alternativo catarinense e vive, definitivamente, uma fase nacional.
Teatro lotado, gente de pé e, infelizmente, gente ficando de fora.
Fazia um bom tempo que eu não assistia ao quinteto formado por Antônio, João, Eduardo, Carolina e Maitê sendo que, talvez, uma das coisas que mais tenham chamado minha atenção tenha acontecido antes mesmo de a primeira música começar: o público.
Tinha muita gente nova. E quando digo nova, é nova mesmo. Uma geração que nasceu talvez 15, 16, 17 anos atrás e que cresceu consumindo música de uma maneira completamente diferente daquela com a qual boa parte de nós se acostumou.
E aí mora uma das coisas mais interessantes do Exclusive os Cabides. Porque, mesmo conversando com essa geração, a banda continua profundamente ligada a um tipo de música forjada décadas antes dela. Anos 80, guitarras, melodias e aquela essência alternativa no sentido mais genuíno da palavra. Aqui no Under Floripa gostamos de brincar que o Exclusive é uma espécie de Cascavelletes criado à beira da praia, comendo pastel de berbigão e tainha.
E, porra, é mais ou menos isso.
Claro que a banda tem personalidade própria e hoje isso está mais evidente do que nunca, mas existe uma capacidade muito interessante de beber do passado sem simplesmente reproduzi-lo.
Confesso que escrever estas linhas está sendo um desafio maior do que deveria.
Estávamos em quatro representantes do Under Floripa no Sesc, quatro exímios conhecedores das profundezas da cena florianopolitana: o magnânimo Luciano Carioca, Catarina, Renan e quem vos escreve. Aos três, inclusive, meu abraço e agradecimento por permitirem que justamente eu registrasse estas singelas impressões.

As cervejas do rolê foram substituídas por Coca Zero e sopa de lentilha. Sim, sopa de lentilha. Um frio do caramba do lado de fora, nenhuma venda de álcool dentro do Sesc e lá estávamos nós, respeitáveis cidadãos, tomando coquinha e encarando uma sopa.
Quem vos fala, inclusive, aderiu aos dois.
Equilíbrio é tudo.
Por volta das 20h15, o Exclusive os Cabides subiu ao palco.
E bastaram os primeiros acordes de “Bicicleta” para perceber que o público já estava ganho.
O show está redondinho.
O repertório passou principalmente pelas músicas do trabalho mais recente e de “Coisas Estranhas”, disco que, por aqui, já podemos tratar como um novo clássico da música produzida ao sul do Sul do mundo.
Mas talvez o mais bonito daquela noite tenha sido justamente o senso de pertencimento. Porque estamos falando de uma banda nossa. Uma banda que vimos crescer, circular, conquistar espaço fora de Santa Catarina e começar a ocupar uma posição cada vez mais interessante no cenário nacional. E que, mesmo com tudo isso acontecendo, escolheu Florianópolis como casa.
Maitê toca baixo pra caralho. Antônio carrega aquele sex appeal de anti-galã, uma espécie de irmão mais novo do Liam Gallagher criado no Estreito, e tem uma presença de palco que combina perfeitamente com o que a banda propõe. Carol com sua camisa do Figueirense coordena tudo com toques precisos e um ritmo que parece até mesmo playback.
E as guitarras estão cada vez melhores.
João e Eduardoencontraram riffs, timbres e espaços que ajudam a definir o som atual da banda. Se o Exclusive chegou até aqui, boa parte dessa evolução passa também pelo trabalho deles.
A banda sabe. E faz.
A apresentação no Sesc também carregava um significado especial: foi o último show em Florianópolis antes da próxima etapa da trajetória da banda, que agora parte para uma turnê pela Europa.
Foi também a primeira apresentação do Exclusive no SESC Prainha e, segundo a própria banda, o 105º show desde sua formação.
Nada mal.
De certa maneira, portanto, tivemos uma pequena despedida antes de novos quilômetros entrarem nessa história.
A banda volta aos palcos de Florianópolis apenas em dezembro, quando integra a programação do Saravá Festival, no dia 12, dividindo a programação com nomes como Gaby Amarantos, Tom Zé e Seu Jorge.
Em resumo, um teatro lotado. Uma geração nova cantando as músicas. Uma banda absolutamente confortável no palco. Uma turnê europeia batendo na porta. Surreal pensar nisso alguns poucos anos atrás.
Depois do show, ainda tivemos a oportunidade de conversar com a banda em uma entrevista que vocês vão conferir por aqui em breve. Fica também o agradecimento a banda pela disponibilidade e Café 8M pelo convite e pela parceria de sempre.
Documentar a nossa cena sempre foi uma das razões de existir do Under Floripa.E fazer parte dela enquanto tudo isso acontece torna a coisa ainda mais especial.
Porque tenho certeza de que, daqui a alguns anos, vamos olhar para trás e pensar:
“Porra, a gente fez parte disso tudo.”
Depois? Bom, o show acabou cedo. Aproveitamos e fomos jantar no Rio Tavares.
Equilíbrio é tudo.
Um abraço e até a próxima.



