Kneecap no Cine Joia: Música com postura pra galera dançar

Kneecap no Cine Joia: Música com postura pra galera dançar

(Reprodução)

O trio irlandês estreou no Brasil com uma apresentação explosiva no Cine Joia, combinando hip-hop, música eletrônica e posicionamento político diante de uma casa lotada.

Noite de sexta-feira, pré-segundo turno das eleições presidenciais, e a agenda de shows marcava algo muito apropriado para o momento: a primeira vez no Brasil do trio Kneecap. Formado em Belfast, na Irlanda do Norte, o grupo vem chamando a atenção há algum tempo por sua sonoridade intensa e letras politizadas.

Nessa primeira visita ao Brasil, eles estavam divulgando o mais recente álbum, intitulado Fenian, mas apresentaram um setlist que trouxe outras músicas do álbum anterior, Fine Art, e alguns singles. São 22 músicas em quase uma hora e meia de show, sem deixar a peteca cair e mantendo a adrenalina no máximo.

Com dez minutos de atraso, o show de abertura do cantor Thalin começou com guitarras distorcidas, samples e um performer à beira da insanidade (as ataduras que envolvem o rosto ajudam bem no quesito insano). Fui mais cedo para assistir ao show dele (já tinha perdido em outras duas oportunidades) e vi um artista instigante, com uma mistura de trap, drum and bass e noise que serviu como um ótimo aquecimento para o bom público presente.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

O relógio marcava 22h10, e um Cine Joia abarrotado ouviu os acordes de “Favourite”, do Fontaines D.C., música que abre o show deles. Aí, no telão ao fundo, surgiram frases sobre o genocídio em Gaza, e o Kneecap entrou cantando “Éire go Deo”, fazendo o público ir ao delírio. Nessa música, ficou clara a intensa troca entre o trio, formado por DJ Próvaí, Mo Chara e Móglaí Bap, e o público que lotava o Joia (fazia tempo que não via a casa tão cheia).

Ao vivo, o som deles transita por variadas vertentes. Em alguns momentos, fazem hip-hop clássico; em outros, R&B; na sequência, drum and bass. No palco, percebi influências de bandas como Atari Teenage Riot e Sleaford Mods, que também são perceptíveis. Mas eles também ocupam a lacuna do Rage Against the Machine, por suas letras e atitudes.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Entre as letras, tivemos xingamentos para Donald Trump, Javier Milei, o governo britânico, o governo de Israel e os Bolsonaros (todos mais que merecidos). Ah, também rolou, mais de uma vez, um “Bora, Lula!” no telão e o famoso coro: “Olé, olé, olé, olé, olé, olé, olé, olááá, Lulaaa, Lulaaa!”

Na parte final do show, eles simplesmente emendaram “Fenian”, “Big Bad Mo”, “Parful”, “H.O.O.D” e “The Recap”. Foi de tirar o fôlego, pois todo o público dançou intensamente na “balada politizada” que o trio comandava.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

No encerramento, tocou “Bella Ciao” (música tradicional italiana), e houve aquela catarse final entre público e banda. Ufa, que show intenso e vibrante.

Obrigado, Kneecap! Obrigado, Balaclava Records e Cine Joia!

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.