Robert Plant provoca catarse no C6 Fest ao unir passado e presente!

Robert Plant provoca catarse no C6 Fest ao unir passado e presente!

(Luciano Vitor/Under Floripa)

Ao lado da Saving Grace e de Suzi Dian, ex-vocalista do Led Zeppelin transformou a Arena Heineken em uma celebração íntima, contemplativa e emocionante no encerramento de sua passagem pelo Brasil.

Um dos maiores vocalistas da história da música nos últimos 50 anos esteve entre nós durante a última semana. Sim: Robert Anthony Plant — ou simplesmente Robert Plant — encerrou sua excursão pelo Brasil (três datas ao todo, todas com ingressos esgotados e disputadíssimos) no já bastante relevante C6 Fest, que ocorre pelo terceiro ano seguido em São Paulo e consegue unir música contemporânea, novidades, lendas do jazz e, por que não, figuras únicas como o cantor inglês de 77 anos.

Mas antes de adentrarmos o festival em si, é importante ressaltar a estrutura da Arena Heineken dentro do Parque Ibirapuera.

Com filas normais dentro do esperado para um evento desse porte, a renomada cervejaria espalhou diversas máquinas de autoatendimento pelo local. Bastava carregar a pulseira com um dos dezenas de atendentes espalhados pelo parque e você mesmo comprava seu copo (singelos cinco reais) e se servia em uma das várias máquinas disponíveis.

Chopp gelado, 440 ml, qualidade absurda e, o melhor: sem filas intermináveis.

A estrutura do evento em si é digna de nota máxima. Embora tenha chovido no sábado e por pouco tempo no domingo, tudo permaneceu dentro da mais absoluta normalidade.

A Arena Heineken contava com banheiros de primeiro mundo, onde uma simpática funcionária (no local em que estive) atendia todos com um enorme sorriso enquanto limpava constantemente os espaços.

Em mais de 30 anos frequentando shows e festivais, poucas vezes me deparei com ambientes tão limpos.

Mas e o nosso bardo? Aos 77 anos, como estaria a voz de uma das maiores lendas do rock, que hoje prefere apresentações menores e repertórios focados em seus trabalhos solo mais recentes?

Plant soube, como poucos, cuidar da própria voz, transformando algumas das canções de sua ex-banda, o Led Zeppelin, em versões mais próximas da sua idade atual — ora com adaptações rítmicas, ora priorizando a interpretação e a força da composição, sem precisar recorrer a estripulias no palco.

Ao lado de sua banda, a Saving Grace, e da cantora inglesa Suzi Dian, o músico literalmente encantou as mais de 15 mil pessoas presentes no espaço.

Robert Plant provoca catarse no C6 Fest ao unir passado e presente! 2
(Luciano Vitor/Under Floripa)

Passeando entre clássicos do Led Zeppelin como “Ramble On”, “Friends” e “Four Sticks”, o cantor apresentou para muitos ali presentes o repertório do álbum Saving Grace, lançado no ano passado, com uma maestria impressionante e uma cumplicidade raríssima com sua conterrânea Dian.

Em diversos momentos, Dian — também uma exímia acordeonista — conduzia as canções ao lado de Plant, olhando para o senhor de madeixas já embranquecidas, mas ainda dono de uma voz intacta.

A banda que acompanha os cantores é simplesmente absurda.

Batizada convenientemente de Saving Grace (o mesmo nome do álbum), ela transporta a plateia para o folk, o blues e o rock de maneira convincente e absolutamente despretensiosa.

O show inteiro funciona como uma enorme montanha-russa emocional. Assistir a tudo isso ao lado do nosso bardo Alexandre Aimbiré me fez pensar na música como catalisadora de verdades — verdades essas que talvez só façam sentido quando compartilhadas com um dos seus melhores amigos diante de um espetáculo desse porte.

Com um repertório redondo, o bis trouxe “Everybody’s Song” — canção originalmente lançada pela banda indie Low em uma versão hipnotizante — antes do encerramento com o clássico “Rock and Roll”, para deleite de todos que, para minha enorme surpresa, assistiram ao show exatamente como um público deveria assistir: em silêncio nos momentos contemplativos, efusivos nas explosões de alegria e, claro, sem deixar de ser brasileiros ao pedir o músico em casamento ou rir das piadas mais bobas do cantor.

“Olá, meu nome é Robert e sou da Inglaterra.”
“Estou triste porque volto para casa amanhã.”

A comunhão que a Arena Heineken presenciou no dia 24 de maio foi tão verdadeira quanto dois amigos terminando a noite comendo um singelo frango a passarinho enquanto revisitam um dos melhores shows que assistiram no ano.

Como diria o poeta:
“A vida presta!”

Robert Plant provoca catarse no C6 Fest ao unir passado e presente! 4
Tati Barreto, Alexandre Aimbiré e Luciano Vitor (Luciano Vitor/Under Floripa)
Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.