Introdução
Começo a rascunhar algumas palavras nesta nova coluna do Tô Puto, chamada Do Pop ao Clássico, em que pretendo fazer um bate-papo sobre música e seu mundo das mais variadas maneiras.
Hoje vou falar sobre dois fatos que vi nesta semana e que me fizeram ver como o mercado da música está mudando: o novo disco do Cansei de Ser Sexy, nossa banda indie que deu certo, que será distribuído de graça pela internet, e um cartaz em uma loja de discos aqui de Floripa anunciando um bazar com 50% de desconto em todos os CDs e DVDs. Parei ao ver o cartaz e pensei: “Nossa, há alguns anos essa loja estaria cheia!”. Por incrível que pareça, estava vazia.
Já é fato consumado que o surgimento da internet e a burrice das gravadoras mudaram o mercado de consumo de música, tornando-o eclético, mas predominantemente virtual. Falo isso porque, se você quiser ouvir um disco nos dias de hoje, pode escolher entre entrar em um programa de p2p ou em um blog para baixar “de graça”, ir à loja do iTunes para baixar na forma prevista em lei ou ir ao ebay ou Mercado Livre para encontrar seu CD ou LP preferido. E as lojas de discos? Infelizmente, parece que acabaram. Falo “infelizmente” porque nesse espaço milhares de músicos e fãs tiveram sua formação, com papos sensacionais com pessoas que você conhecia na hora e com quem saía falando como se fossem amigos de séculos, na caça de raridades improváveis de encontrar e tratadas como verdadeiros objetos mitológicos no desejo das pessoas que lá estavam, no conhecer aquela banda sensacional de que, inconscientemente, sempre gostou. Isso, como fala a propaganda, não tem preço. Vi poucas lojas de discos que eu frequentava fecharem e, por isso, ainda não tinha visto “na prática” a mudança que me faz estar escrevendo estas linhas.
Sentir tristeza pelo fim das lojas de discos não significa amaldiçoar a internet. A rede mundial permite que os velhos fãs de discos, como eu, hoje tenham acesso à maior loja do mundo, dentro dos sites, onde você encontra aquela raridade com que sempre sonhou, os lançamentos mais recentes, os melhores vinis de 180 ou 200 gramas (isso é assunto para outro dia) ou aquele item faltante na coleção. Essa revolução, para mim, só tende a ser benéfica aos amantes da música, pois as grandes corporações e seus atos inescrupulosos visando ao lucro não têm mais o poder de decidir o que vamos ouvir e como nosso artista favorito irá lançar seu mais novo trabalho, tornando a arte e seu consumo, no melhor sentido do termo, muito mais democráticos.
Quando o novo CD do CSS estiver disponível, vou baixá-lo e indicá-lo para todos os amantes da boa música que estão nessa grande loja virtual para bater os melhores papos e trocar as dicas certeiras sobre música. Até semana que vem.
P.S.: esta coluna é dedicada ao Luciano “Botafogo Corcovado Leblon” Carioca, que foi na minha pilha e acabou abrindo esse espaço. Abraços a ele e aos demais putos.
Texto publicado no Tô Puto (que deu origem ao Under Floripa) em julho de 2008.


