Os cinco discos indispensáveis de Jéssica Gonçalves (Dirty Grills)

Os cinco discos indispensáveis de Jéssica Gonçalves (Dirty Grills)

(Reprodução)

De Sonic Youth a Ovlov, Jessíca escolhe os álbuns que marcaram sua trajetória musical e compartilha a história de um disco que ainda é difícil de ouvir.

Escolher apenas cinco discos para levar a uma ilha deserta já é difícil. Quando a música atravessa diferentes fases da vida, vira refúgio nos dias complicados e ainda carrega lembranças de quem a gente ama, a tarefa fica um pouco mais complicada.

Convidamos Jéssica Gonçalves, da Dirty Grills, a escolher os cinco álbuns que levaria consigo. A seleção passa pelo ruído criativo do Sonic Youth, pela energia punk do Amyl and the Sniffers, pelo shoegaze do DIIV, pelo rock do Queens of the Stone Age e pelo caos reconfortante do Ovlov.

E, como a própria Jessíca faz questão de lembrar, cinco álbuns é muito pouco.

Sonic Youth — Goo

“Referência absurda de sonoridade e criatividade musical, provavelmente um dos discos que eu mais ouvi na vida. Tem muitas das minhas músicas preferidas do Sonic Youth.”

Amyl and the Sniffers — Amyl and the Sniffers

“Puro suco do punk lindamente jogado na sua cara pela diva Amy Taylor, mostrando a força feminina encabeçando o gênero. Traz referências de muitas bandas importantes (pelo menos pra mim) e sinto que popularizou o gênero entre as mulheres mais jovens e trouxe um gostinho de ‘eu também posso fazer música’ pra muitas meninas.”

DIIV — Deceiver

“Em algum momento vou precisar de um disco mais ‘light’ na ilha. Esse disco me acompanhou em momentos difíceis e acho que o som se identificou com meus sentimentos em algumas formas. É o ‘triste’ que eu acho bonito e confortável.”

Queens of the Stone Age — Songs for the Deaf

“Acho a sonoridade única, impecável e genial, apesar de não curtir tanto algumas letras e atitudes de alguns integrantes da banda. Mas com certeza é um dos que eu mais ouvi na vida também.”

Ovlov — AM

“É um caos maravilhoso, muito barulho, e incrivelmente me acalma.”

Um lugar para Salad Days

A lista poderia mudar dependendo do dia. Jessíca conta que há vários clássicos que gostaria de incluir, mas preferiu reservar um espaço para algo que tem ouvido bastante no momento.

Entre as possibilidades está Salad Days, de Mac DeMarco. Antes da partida de Quexu, sua companheira de quatro patas, o disco fazia parte da trilha sonora compartilhada pelas duas. Agora, com a perda ainda recente, ouvi-lo é difícil.

“Com certeza se me perguntasse isso antes da minha parceirinha Quexu falecer, eu diria que levava o Salad Days do Mac DeMarco.”

Talvez, com o tempo, o álbum encontre novamente seu lugar na lista. Afinal, discos indispensáveis também são feitos das pessoas, dos momentos e das histórias que ficam guardadas neles.

E você? Quais são os cinco discos que levaria para uma ilha deserta?

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.