Dos Beatles ao progressivo brasileiro, o baixista da UmQuarto escolhe cinco álbuns fundamentais em sua trajetória como ouvinte.
Um álbum pode ser muito mais do que uma coleção de músicas. Pode ser um universo cuidadosamente construído, uma descoberta que muda nossa maneira de ouvir ou uma obra que parece guardar algo da nossa própria história.
Convidamos Mayer Soares, baixista da UmQuarto, a escolher cinco discos que considera fundamentais em sua vida. A seleção atravessa diferentes épocas e geografias, do rock britânico à música argentina, passando pelo progressivo brasileiro e pelos encontros entre voz e violão da música nordestina.
São cinco escolhas que revelam um ouvinte atento aos arranjos, às melodias e às possibilidades da música — mas também àquilo que ela faz a gente sentir.
The Beatles — Abbey Road
“É o disco perfeito. Da capa à última nota, tudo parece estar exatamente onde deveria estar. Desde a ordem das músicas cuidadosamente pensada, os timbres, os arranjos, a estética. É uma obra que não parece apenas um álbum, mas um pequeno universo cuidadosamente construído.
Pular qualquer faixa desse disco é um erro. Esse álbum precisa ser vivido inteiro, do começo ao fim.”
Invisible — Durazno Sangrando
“Spinetta é um daqueles artistas que parecem ter vindo de algum lugar muito distante, onde as fórmulas da música simplesmente não existem. Coloco Spinetta, com tranquilidade, ao lado dos grandes compositores do rock. Sua maneira de escrever melodias, harmonias e letras com uma liberdade quase desconcertante é uma aula de como transformar sentimento em música.
Ouvir Durazno Sangrando é lembrar que o rock latino-americano não deve nada ao resto do mundo e também pode ser profundamente sofisticado, estranho, delicado e inesquecível.”
Moto Perpétuo — Moto Perpétuo
“Antes de ser conhecido nacionalmente com ‘Planeta Água’, Guilherme Arantes já havia mostrado algo que ainda hoje me encanta: que era possível fazer rock progressivo com uma identidade genuinamente brasileira.
Moto Perpétuo é uma daquelas bandas que parecem ter ficado escondidas esperando alguém encontrá-la. E talvez seja justamente isso que a torna tão especial. É prog sem precisar se provar como prog, com músicas curtas, melodias fortes e uma personalidade que só poderia ter sido feita no Brasil.”
Yes — Yes
“O primeiro álbum do Yes é quase sempre esquecido quando se fala da história do rock progressivo, e acho isso uma injustiça. Existe aqui uma banda ainda descobrindo o próprio caminho, mas já completamente fascinante.
Tudo aquilo que mais tarde amaremos no Yes começa a nascer aqui: a liberdade, a musicalidade, a mistura de rock com jazz e aquela sensação de que os músicos estão constantemente procurando um caminho novo. É um disco que me lembra por que comecei a amar música em primeiro lugar.”
Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai — Cantoria 2
“Há discos que a gente admira. E há discos que a gente guarda em algum lugar mais profundo. Cantoria 2 é desses.
Algumas das músicas mais bonitas que o Brasil já produziu estão aqui, e existe algo quase mágico na maneira como aquelas vozes e violões se encontram. Não sou particularmente fã de álbuns ao vivo, mas este ocupa um canto muito especial da minha vida.
É música que parece carregar poeira de estrada, memória, terra, saudade e beleza. Tudo aqui é bonito e profundamente brasileiro.”
Cinco discos, diferentes caminhos e uma mesma paixão pelas possibilidades da música. Para Mayer, os indispensáveis não se resumem a uma lista de favoritos: são obras que mostram o quanto um álbum pode ser pensado, sentido e vivido por inteiro.
E você? Quais são os cinco discos que levaria para uma ilha deserta?


