Fishbone traz mistura explosiva de punk, ska, funk e política para show em São Paulo

Fishbone traz mistura explosiva de punk, ska, funk e política para show em São Paulo

(Auggie Tolosa/Wikimedia Commons)

Banda norte-americana se apresenta no Fabrique Club no dia 31 de outubro, trazendo ao Brasil a mistura explosiva de punk, ska, funk e crítica social que transformou o grupo em referência cult da música alternativa.

Poucas bandas atravessaram tantas fronteiras musicais quanto o Fishbone. Surgido no fim dos anos 1970, em Los Angeles, o grupo construiu uma trajetória singular ao transformar punk, ska, funk, soul, hardcore e rock pesado em uma linguagem própria, caótica e altamente política. Mais de quatro décadas depois, a banda norte-americana retorna ao Brasil para um show no dia 31 de outubro, sábado, no Fabrique Club, em São Paulo.

Realizada pela Maraty, a apresentação acontece em um momento importante da carreira do grupo. Em junho deste ano, o Fishbone lançou Stockholm Syndrome, primeiro álbum de estúdio da banda em mais de 20 anos. O disco recupera elementos que ajudaram a transformar o grupo em uma referência cult da música alternativa: grooves pesados, metais agressivos, mudanças bruscas de dinâmica e letras marcadas por crítica social, tensão racial e comentários sobre a vida contemporânea.

Ao longo da carreira, o Fishbone se consolidou como uma banda impossível de encaixar em um único gênero. Em questão de segundos, uma música pode sair do ska acelerado para o funk psicodélico, mergulhar no hardcore e retornar com refrões melódicos e sessões de metais explosivas. Essa mistura ajudou a abrir caminhos para boa parte da música alternativa dos anos 1990, influenciando bandas de diferentes cenas e estilos.

Mesmo sem atingir o sucesso comercial de alguns contemporâneos, o grupo se tornou uma espécie de segredo bem guardado da música alternativa norte-americana. A intensidade dos shows ao vivo, a liberdade musical e a postura política transformaram o Fishbone em referência para artistas ligados ao punk, ao funk, ao metal e ao ska. A banda também ocupou um espaço importante dentro da cena alternativa de Los Angeles por romper barreiras raciais em um circuito predominantemente branco durante os anos 1980.

O novo álbum reforça esse posicionamento. O primeiro single, “Racist Piece of Shit”, também divulgado como “RxPxOxS”, surgiu como uma crítica direta ao racismo e às tensões políticas contemporâneas. Em declaração sobre a faixa, o tecladista e vocalista Christopher Dowd afirmou que a música funciona como “um alerta para que a humanidade reconheça o ponto de ruptura que está dilacerando a alma deste país e do mundo”.

Outra faixa de destaque é “Last Call in America”, que conta com participação de George Clinton, nome histórico do Parliament-Funkadelic e uma das figuras mais importantes da música funk norte-americana. A presença de Clinton reforça uma ligação que sempre esteve no centro da identidade do Fishbone: unir groove, comentário social e urgência política em músicas tão dançantes quanto agressivas.

A formação atual conta com Angelo Moore nos vocais e saxofones, Christopher Dowd nos teclados, trombone e vocais, James Jones no baixo, Hassan Hurd na bateria, John “JS” Williams II no trompete e vocais, além do retorno do guitarrista Tracey “Spacey T” Singleton. Nos últimos anos, a banda passou por mudanças importantes, incluindo a saída dos integrantes fundadores Norwood Fisher e Walter Kibby, mas manteve sua atividade intensa de turnês e lançamentos.

A trajetória do grupo também foi registrada no documentário Everyday Sunshine: The Story of Fishbone, lançado em 2010. O filme acompanha os altos e baixos de uma carreira marcada por pioneirismo, conflitos internos, dificuldades da indústria musical em lidar com uma banda fora dos padrões e uma influência reconhecida por músicos de diferentes gerações.

Recentemente, o Fishbone voltou a circular com força pelos Estados Unidos e Europa, participando de turnês ao lado de nomes como Madness, Primus e Tool, além de integrar edições da Vans Warped Tour 2025.

O repertório do show em São Paulo deve reunir músicas de diferentes fases da carreira, incluindo clássicos como “Party at Ground Zero”, “Everyday Sunshine”, “Sunless Saturday”, “Fight the Youth”, “Swim” e “Servitude”, além de faixas do novo álbum Stockholm Syndrome.

A abertura da noite fica por conta da banda paulistana Maga Rude, grupo feminino de ska que vem se destacando na cena independente brasileira.

Serviço:

  • Fishbone

    São Paulo – SP

  • Data: 31 de outubro, 2026
  • Local: Fabrique Club
  • Endereço: R. Barra Funda, 1071 – Barra Funda, São Paulo – SP
  • Abertura das Portas: 17h00
  • Censura: 18 Anos
  • Garanta seu Ingresso
Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.